quarta-feira, outubro 08, 2008

Sampa

São  Paulo, por Washington  Olivetto:
 Alguns dos  meus queridos amigos cariocas têm mania de achar São Paulo  parecida com Nova York.
  Discordo deles.  Só acha São Paulo parecida com Nova York quem não conhece bem  a cidade. Ou melhor, quem a conhece superficialmente e imagina  que São Paulo seja apenas uma imensa Rua Oscar  Freire.
  Na verdade, o grande fascínio de  São Paulo é parecer-se com muitas cidades ao mesmo tempo e,  por isso mesmo, não se parecer com  nenhuma.
  São Paulo, entre muitas outras  parecenças, se parece com Paris no Largo do Arouche, Salvador  na Estação do Brás, Tóquio na Liberdade, Roma ao lado do  Teatro Municipal, Munique em Santo Amaro, Lisboa no Paris, com  o Soho londrino na Vila Madalena e com a  pernambucana  Olinda na Freguesia do Ó.
  São Paulo é um  somatório de qualidades e defeitos, alegrias e tristezas,  festejos e tragédias. Tem hotéis de luxo, como o Fasano, o  Emiliano e o L'Hotel, mas também tem gente dormindo embaixo  das pontes.
  Tem o deslumbrante  pôr-do-sol do Alto de Pinheiros e a exuberante vegetação da  Cantareira, mas também tem o ar mais poluído do país. Promove  shows dos Rolling Stones e do U2, mas também promove acidentes  como o da cratera do metrô e o do avião da TAM em  Congonhas.
  São Paulo é sempre  surpreendente. Um grupo de meia dúzia de paulistanos significa 
um italiano, um japonês, um baiano, um chinês, um  curitibano e um alemão.
  São Paulo é  realmente curiosa. Por exemplo: tem diversos grandes times de  futebol, sendo que um deles leva o nome da própria cidade e  recebeu o apelido 'o mais querido'. Mas, na verdade, o maior e  o mais querido é o Corinthians, que tem nome inglês, fica  perto da Portuguesa e foi fundado por italianos, igualzinho ao  seu inimigo de estimação, o Palmeiras.
   São Paulo nasceu dos santos padres jesuítas, em 1554, mas  chegou a 2007 tendo como celebridade o permissivo Oscar  Maroni, do afamado Bahamas.
  São Paulo já  foi chamada de 'o túmulo do samba' por Vinicius de Moraes,  coisa que Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini e Germano Mathias  provaram não ser verdade, e, apesar da deselegância discreta  de suas meninas, corretamente constatada por Caetano Veloso,  produziu chiques, como Dener Pamplona de Abreu e Gloria  Kalil.
  São Paulo faz pizzas melhores que  as de Nápoles, sushis melhores que os de Tóquio, lagareiras  melhores que as de Lisboa e pastéis de feira melhores que os  de Paris, até porque em Paris não existem pastéis, muito menos  os de feira.
  Em alguns momentos, São  Paulo se acha o máximo, em outros um horror. Nenhum lugar do  planeta é tão maniqueísta.
  São Paulo  teve o bom senso de imitar os botequins cariocas, e agora são  os cariocas que andam imitando as suas imitações  paulistanas.
  São Paulo teve o mau senso  de ser a primeira cidade brasileira a importar a CowParade,  uma colonizada e pavorosa manifestação de subarte urbana, e  agora o Rio faz o mesmo.
  São Paulo se  poluiu visualmente com a Cow Parade, mas se despoluiu com o  Projeto Cidade Limpa.
  Agora tem de  começar urgentemente a despoluir o Tietê para valer, coisa que  os ingleses já provaram ser perfeitamente possível com o  Tâmisa.
  Mesmo despoluindo o Tietê,  mantendo a cidade limpa, purificando o ar, organizando o  mobiliário urbano, regulamentando os projetos arquitetônicos,  diminuindo as invasões sonoras e melhorando o tráfego, São  Paulo jamais será uma cidade belíssima. Porque a beleza de São  Paulo não é fruto da mamãe natureza, é fruto do trabalho do  homem.
  Reside, principalmente, nas  inúmeras oportunidades que a cidade oferece, no clima de  excitação permanente, na mescla de raças e classes  sociais.
  São Paulo é a cidade em que a  democratização da beleza, fenômeno gerado pela   miscigenação, melhor se manifesta.
  São  Paulo é uma cidade em que o corpo e as mãos do homem  trabalharam direitinho, coisa que se reconhece observando as  meninas que circulam pelas ruas.
  E se  confirma analisando obras como o Pátio do Colégio (local de  fundação da cidade), a Estação da Luz (onde hoje fica o Museu  da Língua Portuguesa), o Mosteiro de São Bento, a Oca, no  Parque do Ibirapuera, o Terraço Itália, a Avenida Paulista, o  Sesc Pompéia, o palacete Vila Penteado, o Masp, o Memorial da  América Latina, a Santa Casa de Misericórdia, a Pinacoteca e  mais uma infinidade de lugares desta cidade que não pode  parar, até porque tem mais carros do que  estacionamentos.
  São Paulo não é  geograficamente linda, não tem mares azuis, areias brancas nem  montanhas recortadas.
  Nossa surfista  mais famosa é a Bruna, e nossos alpinistas, na maioria, são  sociais.
  Mas, mesmo se levarmos o  julgamento para o quesito das belezas naturais, São Paulo se  dá mundialmente muito bem por uma razão tecnicamente  comprovada.
Entre as maiores cidades do mundo, como  Tóquio, Nova York e Cidade do México, em matéria de  proximidade da beleza, São Paulo é, disparado, a  melhor.     Porque é a única que  fica a apenas 45 minutos de vôo do Rio de  Janeiro.
O mais importante é que com essa distância nenhuma bala perdida pode alcançar São Paulo ! 


Washington  Olivetto é paulista, paulistano e  publicitário


(enviado por meu amigo Garoto)

8 comentários:

Fernanda Castello Branco disse...

Isso faz de São Paulo realmente a melhor!!! hahahahaha

Vera Fonseca disse...

Mas é uma cidade que, diferente de muitas cidades mais providas de natureza, cresce com VONTADE POPULAR! Vê-se, no povo paulistano, um esnobismo que só trás benefícios e melhorias. A cidade está ficando bonita, tentando crescer com sustentabilidade e a mão firme de um prefeito que conseguiu, por mais incrível que pareça, acabar com os anúncios pendurados pelas ruas. É uma cidade frenética, onde tudo acontece. Que bom que fica a 45 minutos de avião do Rio. Assim, sempre que posso faço a viagem ao contrário.

Enquanto isso, o Rio definha. Alguém já tentou andar no centro da cidade? Ou por Ipanema e até mesmo pelo Leblon? Em menor quantidade que no centro - onde quase já nem se anda mais de tanto camelô e mendigo - a penúria é geral! Tomara que o Gabeira ou o Eduardo Paes (quem não me parece uma má pessoa), consigam enxergar além da praia e das exuberantes montanhas... OU que ao menos comecem por enxergar além dos próprios umbigos!

Sonia SantAnna disse...

Duvido que se compare ao do Arpoador.

Sonia SantAnna disse...

Faltou o Museu de Arte Sacra, em um convento do século XVIII, a coisa mais bonita que vi em São Paulo.
E a Vila Madalena, que tem um pouco de Santa Teresa.

Sonia SantAnna disse...

Horrível e ridícula. Pior, algumas da vaquinhas continuam em seu posto.

Sonia SantAnna disse...

Falta um português, como o namorado da minha neta.

Sandra Miranda disse...

Perfeita leitura e descrição.

Jose Carlos Sampaio disse...

Já comentei sobre isso há algum tempo. Sou paulistano, mas não sou bairrista. Vivo aqui desde que nasci. Adoro São Paulo. É onde realmente tudo acontece. Mas acho que há muito o que fazer para melhorar a cidade.
Há coisas incríveis por aqui. A vida noturna é fantástica. Os restaurantes são uma verdadeira tentação. Tem para todos os gostos e bolsos.
Mas confesso que sempre gostei e admirei o Rio de Janeiro. Não sei se conseguiria viver aí. Mas não seria algo impossível. A cidade é a cara do Brasil. Já viajei muito pelo mundo e sempre achei que o Rio foi, é e continuará sendo o principal cartão postal do país.
Problemas??? Muitos. Mas qual cidade não os tem?
Quem vier a São Paulo tem que curtir e aproveitar o que a cidade tem de bom. Não liguem para o trânsito. Acho que nem daqui a 100 anos isso aqui vai mudar....rs.
Um forte abraço