a Anna colocou esses dias um disco da Jane Duboc cantando em italiano. Estava eu a ouvi-lo (exatamente essa música) quando apareceu no Orkut esse vídeo.
não sei o nome do filme, mas foi bom assisti-lo num início de semana que promete.
meus pensamentos caseiros
"A nível de complicabilização"
por Ricardo Freire
Não, por favor,
nem tente me disponibilizar
alguma coisa, que eu não quero.
Não aceito nada que pessoas,
empresas ou organizações me disponibilizem.
É uma questão de princípios.
Se você me oferecer, me der, me vender,
me emprestar,talvez eu venha a topar.
Até mesmo se você tornar disponível,
quem sabe, eu aceite.
Mas, se você insistir em disponibilizar,
nada feito.
Caso você esteja contando comigo para operacionalizar algo, vou dizendo
desde já:
pode tirar seu cavalinho da chuva.
Eu não operacionalizo nada para ninguém.
Tampouco compactuo com quem operacionaliza.
Se você quiser, eu monto, eu realizo,
eu aplico, eu ponho em operação.
Se você pedir com jeitinho, eu até implemento.
Mas, operacionalizar, jamais.
O quê?
Você quer que eu agilize isso para você?
Lamento, mas eu não sei agilizar nada.
Nunca agilizei.
Está lá no meu currículo:
faço tudo, menos agilizar.
Precisando, eu apresso, eu priorizo,
eu ponho na frente, eu dou um gás.
Mas agilizar - desculpe, não posso,
acho que matei essa aula.
Outro dia mesmo queriam reinicializar
meu computador.
Só por cima do meu cadáver virtual!
Prefiro comprar um computador novo
a reinicializar o antigo.
Até porque eu desconfio que o problema
não seja assim tão grave.
Em vez de reinicializar,
talvez seja o caso de simplesmente
reiniciar, e pronto.
Por falar nisso, é bom que você saiba
que eu parei de utilizar.
Assim, sem mais nem menos.
Eu sei, é uma atitude um tanto quanto
radical da minha parte, mas eu
não utilizo mais nada.
Tenho consciência de que a cada dia
que passa mais e mais
pessoas estão utilizando, mas eu parei.
Não utilizo mais. Agora eu só uso.
E recomendo.
Se você soubesse como é muito mais elegante, também deixaria de utilizar e passaria a usar.
Sim, estou me associando à campanha nacional contra os verbos que acabam em "ilizar".
Se nada for feito, daqui a pouco eles serão mais numerosos do que os
terminados simplesmente em "ar".
Todos os dias os maus tradutores de
livros de marketing e administração
disponibilizam mais e mais termos infelizes,
que imediatamente são operacionalizados
pela mídia, reinicializando palavras
que já existiam e eram perfeitamente claras e eufônicas.
A doença está tão disseminada
que muitos verbos honestos,
com currículo de ótimos serviços prestados,
estão a ponto de cair em desgraça entre
pessoas de ouvidos sensíveis.
Depois que você fica alérgico a disponibilizar, como você vai admitir, digamos,
"viabilizar"?
É triste demorar tanto tempo para a gente
se dar conta de que "desincompatibilizar"
sempre foi um palavrão.
Precisamos reparabilizar nessas
palavras que o pessoal inventabiliza só para complicabilizar.
Caso contrário,
daqui a pouco nossos filhos vão
pensabilizar que o certo é ficar se
expressabilizando dessa maneira.
Já posso até ouvir as reclamações:
"Você não vai me impedibilizar
de falabilizar do jeito que eu bem quilibiliser".
Problema
seu.
Me inclua fora dessa.