Marido e mulher estavam dividindo uma garrafa de um bom vinho, quando ele disse:
- Querida, aposto que você não é capaz de dizer algo que me deixe alegre e triste ao mesmo tempo!.....
A mulher responde na bucha:
- Teu pinto, é o maior de toda a vizinhança!.....
(enviado por meu amigo Garoto)
sexta-feira, agosto 31, 2007
segunda-feira, agosto 27, 2007
Flecha Negra vai partir
saindo 10 de setembro de Resende com destino às Minas Gerais. Roteiro tentativa:
dia 10 - Tiradentes
dia 11 - Lavras Novas
dia 12 - Caraça
dia 13 - Serro
dia 14 - Diamantina
serve como convite para quem quiser ir, tem 2 lugares mas quem for no banco de tras tera que conviver com o computador de meu irmão. Despesa so com hospedagem e comida e promessa de muita estrada de terra e paisagens belíssimas além de históricas.
dia 10 - Tiradentes
dia 11 - Lavras Novas
dia 12 - Caraça
dia 13 - Serro
dia 14 - Diamantina
serve como convite para quem quiser ir, tem 2 lugares mas quem for no banco de tras tera que conviver com o computador de meu irmão. Despesa so com hospedagem e comida e promessa de muita estrada de terra e paisagens belíssimas além de históricas.
sexta-feira, agosto 24, 2007
morena?
Uma jovem morena vai num consultório médico e reclama que todos os lugares
do seu corpo doem quando ela os toca.
- Impossível - diz o doutor, "mostre-me como pode ser.
Então, ela encosta seu próprio dedo no seu próprio ombro e grita
agonizantemente. Depois ela encosta em sua perna e grita, encosta em seu
cotovelo e grita e assim por diante....
Qualquer lugar que ela se tocava, ela gritava.
O doutor perguntou:
- Você não é morena natural não é?
- Não, ela diz: - Na verdade eu sou loira!!!
- Foi o que eu pensei!! - diz o doutor
- Seu dedo está quebrado!!!
do seu corpo doem quando ela os toca.
- Impossível - diz o doutor, "mostre-me como pode ser.
Então, ela encosta seu próprio dedo no seu próprio ombro e grita
agonizantemente. Depois ela encosta em sua perna e grita, encosta em seu
cotovelo e grita e assim por diante....
Qualquer lugar que ela se tocava, ela gritava.
O doutor perguntou:
- Você não é morena natural não é?
- Não, ela diz: - Na verdade eu sou loira!!!
- Foi o que eu pensei!! - diz o doutor
- Seu dedo está quebrado!!!
quarta-feira, agosto 22, 2007
As Mulheres do Meu Pai
| Rating: | ★★★★★ |
| Category: | Books |
| Genre: | Literature & Fiction |
| Author: | Jose Eduardo Agualusa |
Uma cineasta portuguesa vai a Africa fazer um documentário sobre a vida de um cantor/compositor angolano que viveu pelo sul do continente e deixou 18 filhos com várias mulheres, porque ela descobre, na morte da mãe, que fora adotada na maternidade.
Livro bué de bom, com um mistério a cada capítulo.
terça-feira, agosto 21, 2007
momento científico
Se se mexe, é biologia; se feder, é química; se não funciona, é física; se não faz sentido, é economia; se ninguém entende, é matemática. Porém, se não se mexe, não fede, não funciona, não faz sentido e ninguém entende, é informática.
frase do dia
Lindolfo Collor, Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto,
Renan Calheiros, Fernando Collor, Paulo Cesar Farias,
João Lyra... melhor é dar a independência a Alagoas!
(enviada por meu amigo Garoto)
Renan Calheiros, Fernando Collor, Paulo Cesar Farias,
João Lyra... melhor é dar a independência a Alagoas!
(enviada por meu amigo Garoto)
sábado, agosto 18, 2007
quinta-feira, agosto 16, 2007
marranos (longo)
esse texto foi colocado no grupo da minha família. Acho que a Baronesa vai gostar.
=====================================================
Existe algumas controvérsias sobre os judeus convertidos terem adotado nome
de bichos e árvores ou não. Recentemente teve uma matéria no JB sobre o
assunto. Muitos históriadores divergem dessa idéia sobre os nomes do judeus
convertidos. Vou ver se as encontro e repasso aqui no fórum. Enquanto isso
leiam a execelente matéria da professora de história da USPAnita Novinsky
sobre os Marranos nas Minas Gerais.
"Baseado em 57 Processos inéditos de marranos (cristãos-novos, conversos)
presos em Minas Gerais no século XVIII, este artigo procura mostrar seu
papel na Idade de Ouro do Brasil. 64% deles eram mercadores e 23% eram
mineiros. Pertenciam à classe média e raros eram os magnatas. Nenhum dele
esteve envolvido no tráfico negreiro. Acusados do crime de judaísmo e de
pertencerem a sociedades secretas, representaram 42% dos brasileiros
condenados à morte. Ser marrano entre os portugueses no Brasil mais um
sentimento e uma visão de mundo do que uma prática religiosa.
Minas Gerais foi no século XVIII uma das regiões mais procuradas pelos
cristãos-novos portugueses. Cada nau que saía do Tejo trazia refugiados ou
aventureiros cristãos-novos para o Brasil. Tomando conhecimento da
prosperidade da região, do afluxo do ouro e das possibilidades
confiscatórias, a Inquisição ordenou uma persistente fiscalização e algumas
dezenas de portugueses foram presos, acusados de praticar a religião
proibida: o judaísmo. Alguns já estavam estabelecidos nas regiões auríferas
desde o início do século.
Este artigo é o extrato de um livro em elaboração sobre os marranos em Minas
Gerais. Procuro aqui dar algumas pinceladas a esse quadro multicolor que foi
a sociedade marrana mineira. Os dados que apresento baseiam-se todos em
pesquisas colhidas em manuscritos ainda inéditos, principalmente nos
processos de 57 prisioneiros, 11 dos quais já tinham nascido no Brasil.
Atualmente desenvolvo uma nova história sobre Minas, procurando analisar a
sociedade nas suas dobras ocultas e dar a conhecer a origem judaica dos
mineiros e seu comportamento, que fugia aos padrões obrigados pela Igreja.
Quem foram os primeiros povoadores marranos de Minas, os fundadores das
primeiras vilas do ouro, os construtores dos primeiros arraiais e
principalmente o que pensavam? Que imagens do mundo transmitiam, como se
explica de um lado a forte resistência ao catolicismo e de outro seu
completo desaparecimento?
Somente a análise minuciosa da documentação manuscrita permitirá desvendar o
lado oculto da sociedade marrana brasileira, e corrigir mal entendidos e
erros interpretativos. É lamentável que a experiência marrana no Brasil não
faça parte ainda dos livros de história e que continue totalmente ignorada
pelos historiadores estrangeiros.
Os cristãos-novos ou marranos que desbravaram as selvas, cultivaram a terra,
apresaram índios, guerrearam os jesuítas, foram homens totalmente diferentes
dos judeus de origem ashkenazi, assim como dos conversos sefaradins que se
dispersaram pela Itália, Holanda, França ,norte da África, Levante e outros
lugares do mundo. Falar dos cristãos-novos generalizando sua atuação e sua
mentalidade tem levado a uma concepção errônea do que foi o fenômeno
marrano, especificamente o brasileiro.
Na primeira metade do século XVIII foram presos algumas dezenas de
cristãos-novos de Minas Gerais acusados de judaísmo.
1 Com exceção das profundas e exaustivas pesquisas genealógicas feitas por
José Gonçalves Salvador, a historiografia brasileira nada praticamente
apresenta de científico sobre as atividades econômicas e a vida cotidiana e
social dos marranos em Minas Gerais. 2 Eminentes historiadores brasileiros,
por não utilizarem as fontes inquisitoriais minimizaram ou ignoraram o papel
que representaram os descendentes dos judeus na colonização do Brasil, tanto
do ponto de vista econômico, como social e cultural. A afirmação de eminente
historiador de que "raramente se encontravam em Minas Gerais processos
contra cristãos-novos por práticas judaizantes, " precisa hoje ser
reconsiderada. 3 Existe uma numerosa documentação sobre Minas Gerais nos
arquivos do extinto Tribunal da Inquisição em Portugal, que revela uma
presença considerável de colonos de origens judaicas, condenados por
praticas religiosas ou por suas idéias.
Afastados há mais de um século da cultura judaica e altamente assimilados, o
estilo de vida aventureiro e violento dos marranos brasileiros diferencia-se
fundamentalmente daquele vivido pelos judeus em outras regiões. Para dar um
exemplo da atuação dos cristãos-novos ou marranos no contexto político e
social mineiro, quero lembrar três personagens de origens judaicas que se
destacaram na vida política e administrativa: Garcia Rodrigues Pais, Miguel
Telles da Costa e Manuel Nunes Viana. Garcia Rodrigues Pais era filho de
Fernão Dias Pais, o "caçador de esmeraldas" ,e foi responsável pela
organização da primeira expedição desbravadora e fundadora de Minas Gerais,
constrindo o chamado "Caminho Novo", conhecido também como "Caminho do
Comércio".
Esse caminho abreviava consideravelmente a distância do Rio de Janeiro,
porto de onde afluíam as principais mercadorias de Portugal para Ouro Preto.
Em 1702, Garcia Rodrigues Pais Leme, em recompensa aos serviços prestados a
Coroa foi nomeado "Guarda Mor Geral das Minas", e obteve o título de fidalgo
da Casa Real, o que lhe conferiu tão grande prestigio que o levou a
solicitar em 1710 sua admissão à prestigiosa Ordem de Cristo.
O ingresso lhe foi recusado por ser infamado de "cristão-novo por parte de
sua avó materna".4 A legislação discriminatória e o preconceito contra os
descendentes de judeus chegou a atingir os portugueses e brasileiros até a
5ª e 6ª geração. Temos poucas noticias sobre os sentimentos judaicos de
Garcia Rodrigues Pais Leme, pois nunca foi preso pela Inquisição. Apesar de
no Brasil a luta pela sobrevivência ter abrandado as barreiras que separavam
cristãos-velhos dos cristãos-novos, estes, devido às suas críticas às
imposições econômicas e ideológicas da Metrópole eram vistos com
desconfiança pela governança portuguesa. Mas havia um fator decisivo que
facilitava o ingresso dos cristãos-novos nas elites locais: o volume de seus
bens. No Brasil podia-se, através da riqueza, "branquear a pele" e "apagar a
mancha" do sangue judeu.
O segundo personagem que nos primórdios da história de Minas exerceu
importante cargo administrativo foi o capitão-mór Miguel Teles da Costa,
sobre o qual temos numerosas notícias, pois foi preso pela Inquisição em
1713 e acusado de judaísmo.5 O monarca português o havia nomeado capitão-mor
das vilas de Itanhaen, Ilha Grande e Parati.
Era proprietário de terras em Nossa Senhora do Carmo, sendo um dos primeiros
povoadores da região. Fazia parte da sociedade secreta de cristãos-novos,
constituída por um grupo de comerciantes e mineradores residentes no Rio das
Mortes, entre os quais também encontramos o cristão-novo Francisco Matheus
Rondon, guarda mor do Rio das Mortes.
Miguel Teles da Costa foi preso no Rio de Janeiro juntamente com outros
cristãos-novos, acusados todos de serem adeptos da Lei de Moisés. Mercador
de posses enviava produtos coloniais para seus sócios em Lisboa, sendo um
deles seu irmão Francisco Mendes de Castro. Do Rio de Janeiro também mandava
"carregações" para as Minas Gerais, auxiliado por seu sobrinho Diogo Lopes
Flores. Em 1704 enviou 20 ou mais cargas de fazendas para o Rio das Mortes,
região de onde se extraía grande quantidade de ouro.
Tinha plantações de milho e feijão, possuía escravos negros e cavalos, armas
e diversos bens móveis, conforme consta de seu inventário.6 Construiu sua
residência fixa em Rio das Mortes que depois transformou em estalagem, onde
se abrigavam seus companheiros que vinham negociar nas Minas. Miguel Teles
da Costa foi a principal autoridade da região, cuidava da defesa e
supervisionava a entrada nas Minas, onde só era permitida a penetração com
"licença especial". Em certa ocasião foi "recriminado" por ter favorecido a
entrada de "certas pessoas", provavelmente cristãos-novos ,"sem licença".
Apesar de todo seu prestígio e de ter sob sua jurisdição as terras mineiras,
não conseguiu fugir dos agentes da Inquisição que rondavam a região. Preso,
levado aos cárceres inquisitórias, torturado, teve toda sua fortuna
confiscada. Saiu em auto-de-fé em Lisboa e morreu louco e indigente.
Um terceiro personagem, dos mais curiosos da história colonial, foi o
cristão-novo Manuel Nunes Viana.7 Sobre sua personalidade violenta,
estranha, paradoxal e seu envolvimento numa guerra civil com os paulistas
pela posse das terras mineiras temos notícias detalhadas. Mas sobre suas
crenças sabemos muito pouco.
De origens judaicas, era amigo íntimo de Miguel de Mendonça Valladolid,
homem de negócios que percorria as rotas do comércio São Paulo, Rio de
Janeiro, Minas, Bahia, Colônia do Sacramento, e que lhe ensinou as orações
judaicas. Nasceu em Viana do Castelo e fez fortuna na Bahia e Minas Gerais
comerciando escravos e ouro. Em 1710 era proprietário de várias e lucrativas
minas de ouro em Caeté e outras regiões e tinha o monopólio do abastecimento
de carne para as Minas Gerais. Foi líder, em 1708, da facção mineira na
sangrenta "guerra dos Emboabas". Participou em um verdadeiro massacre no
Capão da Traição, quando numerosos paulistas, cristãos-novos e velhos, foram
mortos. Ficou conhecido na história do Brasil como o "Rei dos Emboabas", e
foi aclamado governador interino de toda região mineira. Apesar de suas
desavenças com o Vice-Rei, recebeu Carta de Mercê do Rei de Portugal pelos
seus "relevantes serviços". Excepcionalmente foi aceito na prestigiosa e
elitista Ordem de Cristo não obstante sua origem judaica, o que mostra a
arbitrariedade com que se aplicavam as "leis de limpeza".
Manuel Nunes Viana, mal era alfabetizado mas tinha algumas ambições
culturais. Depois de vitorioso financiou, em 1728, a publicação de um livro
de Nuno Marques Pereira "Compêndio do Peregrino da América, obra que teve
enorme sucesso. Consta que tinha uma biblioteca e também chegou a financiar
a impressão de 3º volume das Décadas de Diogo do Couto. Manuel Nunes Viana
vivia como muitos cristãos-novos, dividido entre dois mundos. Num deles
pronunciava as preces judaicas, no outro levava suas duas filhas para serem
freiras em um convento de Lisboa.
A ocupação do território em terras mineiras se processou diferentemente de
outras regiões da América. As oportunidades de enriquecer e ascender nas
Minas eram muitas, mais fáceis e mais rápidas que na sociedade açucareira.
Os cristãos-novos espalhados por todo território brasileiro mantinham entre
si uma ampla rede de comunicações, e o fato de estarem dispersos pela
América e pelo mundo abriu-lhes uma frente para as transações econômicas com
a qual os cristãos-velhos dificilmente podiam competir. Portugal exercia um
controle rigoroso sobre a região, principalmente devido ao intenso
contrabando nos portos brasileiros e a massa de aventureiros estrangeiros
que procurava chegar ao território sem licença. Parece que os cristãos-novos
conheciam algumas facilidades para se chegar às Minas.8
Nas regiões mineiras da Bahia, do Rio de Janeiro e de Goiás, cristãos-novos
estavam envolvidos nas mais diversas atividades. Compravam e vendiam
escravos e gêneros necessários para os moradores, eram pecuaristas e
abasteciam de carne toda a região. Trabalhavam na extração do ouro, eram
artesãos, e havia entre eles alguns médicos e advogados. Adquiriam livros e
escreviam poemas.9
Examinando os documentos referentes às profissões e à declaração dos bens
confiscados pela Inquisição aos cristãos-novos em Minas Gerais, encontramos
23% dos condenados dedicando-se à mineração, sendo que 64% aparecem como
comerciantes e 6% como agricultores. 14 Os mais prósperos cristãos-novos do
ponto de vista econômico, eram aqueles cujas atividades combinavam a
mineração, lavoura e o comércio de escravos e mercadorias diversas.
Em Ouro Preto por exemplo, no ano de 1740, as maiores fortunas se
concentravam nas mãos de cristãos-novos que combinavam simultaneamente
diversas ocupações. Assim Ignacio Dias Cardoso vem mencionado como
agricultor, negociante, mineiro e dono de plantações de milho e feijão. Era
proprietário de 2 engenhos possuindo extensões de terras nas quais explorava
o mineral, chegando a acumular uma fortuna de 26;295$311 réis. Contudo, de
um modo geral, são poucos os cristãos-novos que aparecem com fortuna
comparável à do magnata Francisco Ferreira Izidro, que chegava a 10;709$000
réis ou de Manuel de Albuquerque e Aguilar, talvez o mais rico dos
cristãos-novos, com 57;330$000 réis.10
Uma avaliação inicial e aproximada dos bens que foram confiscados aos
cristãos-novos condenados em diversas regiões do Brasil, baseada em 130
inventários que publiquei, foi feita pelo infatigável pesquisador sobre
marranos, tragicamente desaparecido, Flávio Mendes de Carvalho.11 Os
resultados que apresenta podem trazer alguma luz sobre as condições
financeiras de um certo número de marranos brasileiros: 78% dos 129
condenados que analisou, pertenciam à classe media e apenas 5,4% eram
grandes magnatas que contribuíram com 52% dos bens que foram confiscados,
sendo que quase a metade do total proveio dos senhores de engenho. Parece,
segundo essa avaliação, que os mais ricos eram os cristãos-novos que viviam
na Bahia, seguidos pelos do Rio de Janeiro e em terceiro lugar vem os de
Minas Gerais. Analisando apenas 129 casos, o patrimônio médio, avaliado em
ouro, que foi confiscado entre 1704 e 1761 por Capitania foi:
Bahia - 48.846 gramas de ouro
Rio de Janeiro - 44.927 gramas de ouro
Minas Gerais - 35.850 gramas de ouro
Goiás - 17.119 gramas de ouro
Pernambuco - 5.484 gramas de ouro
Paraíba - 2.646 gramas de ouro
São Paulo - 2.106 gramas de ouro12
O rei D. João V, durante seu reinado, recebeu uma renda de 379 toneladas de
ouro provenientes do Brasil.13
O sistema que impulsionou a estrutura econômica na América Lusitana foi,
como sabemos, a escravidão. O tráfico de escravos tornou-se a atividade
comercial mais rentável na colônia e contratadores, autorizados pela Coroa
portuguesa, traziam negros que já eram esperados por mercadores
cristãos-novos nos portos do Rio de Janeiro e Bahia. Nesses portos faziam
seus carregamentos e os levavam para as Minas onde os revendiam, em geral a
crédito. José Gonçalves Salvador, que publicou um trabalho sobre os
"magnatas do tráfico negreiro" afirma que esses traficantes eram
principalmente cristãos-novos, mas não apresenta nenhuma documentação que
prove essa constatação. Suas conclusões se apoiam apenas na evidência dos
nomes mais comuns entre os cristãos-novos. 14 É totalmente impossível
tirarmos qualquer conclusão sobre a origem cristã-velha ou cristã-nova dos
luso-brasileiros baseando-nos em evidência onomástica, uma vez que todos
nomes dentre os cristãos-novos encontram-se também entre os cristãos velhos.
Tomando ainda como fonte, dentre centenas de cristãos-novos que foram presos
no Brasil, apenas os bens declarados por cento e trinta cristãos-novos,
encontrei na primeira metade do século XVIII, vinte e cinco cristãos-novos
residentes ou assistentes nas Minas Gerais.15 Nenhum destes vinte e cinco
cristãos-novos declarou ser traficante de escravos. Constam como compradores
, vendedores e transportadores de "carregações" de uma região para outra do
Brasil. Não devemos confundir comerciantes de escravos com os
"contratadores" , grandes capitalistas que faziam as viagens para a África em
busca de negros, muitas vezes em barcos próprios ou através de agentes.
Interessante que, também no Rio de Janeiro, entre os 71 cristãos-novos por
mim inventariados, não encontrei nenhum que trouxesse carregação de escravos
de ultra mar. Apenas a Bahia aparece como exceção: entre vinte e um presos
inventariados, três traficavam negros da África: José da Costa que ia
buscá-los em Angola e na Costa da Mina, Antônio Cardoso Porto, também
chamado Belchior Mendes Corrêa, que os trazia da Costa da Mina e Tomás Pinto
Corrêa ,que trazia "carregações" de negros de Angola mas que pertenciam a
"várias pessoas".16
Os laços familiares eram condição fundamental nas transações comerciais
realizadas pelos cristãos-novos nas Minas. Os conhecidos mercadores Davi de
Miranda, Damião Rodrigues Moeda, Francisco Nunes de Miranda, João de Moraes
Montesinhos, entre muitos outros, negociavam sempre ligados aos seus
parentes.
A mobilidade dos cristãos-novos na colônia brasileira foi freqüente e
ininterrupta. Apesar de encontrarmos famílias radicadas durante gerações nas
mesmas regiões, de um modo geral a população cristã-nova apresentava uma
grande instabilidade. A vigilância constante a que estavam expostos por
parte dos agentes inquisitoriais, muitas vezes impedia a sua radicação, mas
foram também interesses econômicos que os levavam a residir temporariamente
em vários lugares. Francisco Nunes de Miranda, por exemplo, tinha casa na
Bahia, Rio de Janeiro e Rio das Mortes e fazia negócios com o magnata
Francisco Pinheiro e com seu parente José da Costa que trazia escravos da
Costa de Marfim e Angola para o Brasil.
Contrabando, fraudes, roubos era o cotidiano das Minas, mas no ano de 1725
seu grau foi alarmante. O próprio governador, D. Lourenço de Almeida foi um
infatigável contrabandista de diamantes. Tanto cristãos velhos como
cristãos-novos realizavam o tráfico ilegal, que no tempo não era visto como
uma grave contravenção moral, mas comumente aceito nas práticas comerciais e
encarado como parte inerente das atividades metropolitanas e coloniais.17 Na
corte, nos mares, nos mercados, padres da Igreja, homens de Estado,
mercadores, mineiros, senhores de engenho, lojistas, profissionais e
artesãos aceitavam a prática do contrabando como algo inevitável.18 A
Metrópole procurou continuamente, sem sucesso, controlar essas fraudes. As
denúncias eram graves, principalmente sobre uma "casa da Moeda" ilegal,
clandestina, na qual aparece também envolvido o rico cristão-novo Manuel de
Albuquerque Aguilar .
Apesar do estágio inicial em que se encontram as investigações sobre a
população cristã-nova em Minas Gerais, podemos dizer que seu número foi
relativamente alto, uma vez que incluía também os "assistentes" que residiam
no Rio de Janeiro e na Bahia, mas que passavam longos períodos em Minas
Gerais. No "Livro dos Culpados", que é a principal fonte para o conhecimento
da população cristã-nova no Brasil, encontramos anotados os nome de todos os
cristãos-novos suspeitos, denunciados ou que foram presos. Nele estão
registrados 150 cristãos-novos residentes ou assistentes em Minas Gerais.19
O número de cristãos-novos em algumas cidades do Brasil ultrapassou o número
de judeus que viviam em Amsterdã no período de sua maior efervescência
econômica e cultural. Mas devemos ter em mente, que somente é possível obter
dados demográficos sobre cristãos-novos em determinadas regiões do Brasil,
através da contagem daqueles que foram presos pela Inquisição ou a ela
denunciados como judaizantes. O número total será portanto sempre impreciso,
pois a maior parte dos cristãos-novos que vieram para o Brasil não foram
presos, e diluíram-se em meio a população brasileira. Em Minas Gerais
arrolamos, até o presente, aproximadamente 500 cristãos-novos entre
denunciados e presos.
Analisando apenas 57 condenados de Minas Gerais temos o seguinte quadro:
O maior número de prisões de cristãos-novos foram feitas nos anos de grande
produção aurífera 1728, 1729, 1730, 1732 e 1734, sendo seu número mais alto
em 1728 e 1729 ,com 8 prisioneiros cada ano. No Brasil foram queimados 21
cristãos-novos (2 em estátua e 19 em carne) .Entre os queimados em carne, 8
residiam ou "assistiam" em Minas Gerais, isto é aproximadamente 42%. Dos
prisioneiros do Brasil somente os acusados de judaísmo receberam como
sentença a pena de morte.
Foram queimados "em carne" em Minas Gerais :
1. Miguel Mendonça Valadolid 1731
2. Diogo Corrêa do Valle 1732
3. Luís Miguel Corrêa 1732
4. Domingos Nunes 1732
5. Manoel da Costa Ribeiro 1737
6. Luís Mendes de Sá 1739
7. Martinho da Cunha Oliveira 1747
8. João Henriques 1748
Entre os 57 cristãos-novos mencionados, não incluí o judaizante cabalista
Pedro Rates Henequim, queimado em 1748, que havia vivido 20 anos em Minas
Gerais, porque as "investigações de genere" o deram como cristão-velho, mas
não temos sobre sua origem, muita certeza.20
A história dos marranos de Minas Gerais, como de todo o Brasil, revela, como
já escrevi, grande diversidade de comportamento, uma rebeldia frente a
Igreja e uma ânsia de liberdade que se expressa tanto entre os que
judaizavam como entre os laicos.
Examinando os processos de Diogo Corrêa do Vale e seu filho Luiz Corrêa,
ambos presos em Minas Gerais, temos confirmada a opinião do padre Antônio
Vieira, sobre o funcionamento do Tribunal e a inocência dos réus. Diogo
nasceu em Sevilha e residia no Porto. Doutor em medicina pela Universidade
de Coimbra, já viúvo e devido à prisão de vários membros de sua família pela
Inquisição, fugiu com o filho para o Brasil, onde se estabeleceu em Vila
Rica de Ouro Preto. Foi preso em 12 de setembro de 1730, junto com seu filho
Luiz Miguel Corrêa.21 Numa carta enviada pelo familiar do Santo Ofício, Dr.
Lourenço de Valadares Freire aos senhores Inquisidores, datada de Vila Rica
no ano de 1730, ficamos conhecendo os sentimentos de Luiz Miguel Corrêa.
Quando o Tenente Martinho Alvarez o prendeu, murmurou: "dizem que o Santo
Ofício é reto, agora vejo que não, porque prende aos homens inocentes."22
Tanto Diogo Corrêa do Vale como seu filho Luiz Miguel Corrêa foram acusados
de "judaizar"há mais de 20 anos , quando ainda viviam no Porto. Os
Inquisidores não conseguiram juntar nenhuma prova de judaísmo contra ambos,
durante os anos em que viveram em Minas. A prisão de Diogo se deve a
intrigas e antigas rivalidades de seus colegas do Porto e sobre divergências
que tinham quanto ao tratamento que devia ser dado aos doentes. Alguns
amigos tentaram interceder a seu favor, confirmando sua reta conduta e sua
caridade como cristão e como médico, que "atendia doentes pobres sem
cobrar". Diogo também tentou se defender afirmando, até o fim, serem falsas
todas as acusações, mas os Inquisidores não alteraram sua sentença de morte.
Diogo insistiu ter sempre vivido na Lei de Cristo nela querendo morrer, mas
o que foi decisivo na sua sorte foi sua origem judaica.23
O destino de Luiz Miguel Corrêa foi tão triste quanto de seu pai. Com fortes
inclinações para a vida religiosa, seu apego a fé cristã transparece em todo
seu julgamento. Querendo tornar-se sacerdote, procurou o Bispo do Rio de
Janeiro pedindo que o ajudasse. O Bispo logo o desiludiu, mostrando-lhe quão
inúteis eram seus sonhos de entrar para a Igreja, uma vez que era
cristão-novo e tinha tantos membros de sua família presos pelo Santo Ofício.
Numa desesperada e última tentativa Luiz disse ao Bispo que estava disposto
a vender todos seus escravos e bens para pagar a compra do "exame de limpeza
de sangue", "como tantos faziam". Foi inútil. Na última sessão de seu
julgamento rogou aos Inquisidores que, mesmo se acreditassem na sua
inocência e o declarassem, o condenassem a cárcere perpétuo, para que assim
pudesse tratar de sua salvação "já que não podia ser frade pela impureza de
seu sangue". Dizia ainda que o medo da morte o pusera em tal "desesperação"
que o levou a confessar de si e denunciar outras pessoas "falsamente" ,
afirmando que eram praticantes da Lei de Moisés. Até o último momento Luís
declarou-se inocente do crime que o acusavam, ser judeu. Foi queimado na
mesma tarde que seu pai.24
É importante ressaltar que em Minas Gerais como no restante do Brasil, ser
acusado de judaísmo não se resumia apenas em seguir algumas leis dietéticas,
observar os jejuns, abster-se do trabalho aos sábados, ou obedecer alguns
outros preceitos ordenados pela religião judaica. O marranismo entre os
portugueses no Brasil foi em grande parte uma atitude mental, um sentimento,
uma postura frente a vida.25 Se a maioria dos cristãos-novos no Brasil
conseguiu ultrapassar as barreiras discriminatórias legais impostas pela sua
origem e sangue, ou a discriminação social, e se diluir na sociedade ampla,
houve uma parte que permaneceu marginal e se manteve fiel a tradições, mesmo
que apagadas, herdadas dos seus antepassados. A transmissão da memória de
uma história vivida e sofrida durante séculos, juntamente com a exclusão
legal e social a que estavam sujeitos, reforçou entre os cristãos-novos a
resistência na adoção dos preceitos da Igreja, e criou entre eles uma
postura crítica frente à religião católica. A crítica religiosa foi a grande
contribuição que os cristãos-novos no Brasil deram ao pensamento ilustrado
do século XVIII.
Outro exemplo de um mineiro dissidente é o caso de Diogo Nunes Henriques,
rico homem de negócios, preso nas Minas em 1728.26 Cometeu o crime de
afirmar que "cada um podia viver ou morrer na Lei que melhor lhe parecesse".
Levou-o aos cárceres de Lisboa sua afirmação sobre a liberdade de
consciência, impensável entre a maioria de seus contemporâneos portugueses.
Os Inquisidores ao receberem essa denúncia imediatamente mandaram investigar
"de que terra era natural", seu "modo" de vida, "em que parte" de Minas
morava, e sua "reputação de sangue". Novas "informações" se acumularam,
inclusive a de que sua casa em Ouro Preto era sede da sociedade secreta de
cristãos-novos, onde se reunia uma verdadeira elite mineira: David Mendes,
Domingos Nunes (sobrinho de Diogo Nunes Henriques), o senhor de engenho
Domingos Rodrigues Ramires que tinha residido no Rio de Janeiro, João da
Cruz, o mercador de panos David de Miranda, Francisco Nunes, Duarte
Rodrigues, Manuel Nunes de Paz (filho de Diogo Henriques), Manuel Nunes
Sanches e muitos outros, todos vizinhos.
O retrato que nos ficou de Diogo Nunes Henriques é o de um homem letrado que
se tornou suspeito pelo fato de ser "dado a ler alguns livros".
Cristãos-velhos, que testemunharam contra ele, afirmaram nunca tê-lo visto
rezar, nem ensinar aos seus escravos a doutrina cristã, como era costume na
roça. Um alfaiate afirmou aos agentes investigadores que "nunca viu Diogo
com um rosário de contas, e que se desobrigava do preceito da quaresma,
ensinando essas heresias aos seus escravos". Diogo também chamava a atenção
de seus vizinhos cristãos velhos, pois, quando cansado, suspirava, Ai! Deus!
e nunca pronunciava o nome de Jesus. O crime ainda mais grave: reunia seus
amigos, entre eles vários membros da família Miranda, "para lerem livros".27
No processo de Domingos Nunes, um sobrinho de Diogo Nunes Henriques, também
encontramos interessantes informações sobre o cotidiano dessa sociedade
secreta mineira.28 Foi emitida contra ele uma ordem de prisão, datada do ano
de 1728, mas a Inquisição já estava à sua procura desde o anos de 1726. Só
foi encontrado 2 anos e 7 meses depois da ordem de prisão e entregue a
Inquisição de Lisboa em 12 de outubro de 1730. Denunciaram- no 17
companheiros de negócios, que comerciavam com o Brasil e que foram todos
presos: Gaspar Fernandes Ferreira, (ou Pereira), homem de negócios de Ouro
Preto; Miguel da Cruz, homem de negócios que residia simultaneamente no Rio
de Janeiro; Manuel Nunes da Paz, homem de negócios morador em Minas; Gaspar
Henriques, mineiro da Bahia; Manoel Nunes Bernal, capitão de navio morador
no Rio de Janeiro; Jerônimo Rodrigues, tratante morador na Bahia; Joseph da
Cruz Henriques, dizimeiro-mor, morador no Ribeirão do Carmo; Joseph
Rodrigues Cardoso, sem oficio, natural da Bahia e morador em Ribeirão do
Carmo; Diogo Nunes Henriques, homem de negócios, morador em Ouro Preto e tio
de Domingos Nunes; Antônio da Fonseca Rego, lavrador de cana, natural de
Pernambuco, morador em Paracatu; Antônio Rodrigues Campos, lavrador de
mandioca, morador na Bahia; Diogo Dias Corrêa, sem oficio, morador em
Santos; Luiz Vaz de Oliveira, natural da Espanha e morador em Ribeirão do
Carmo; David Mendes da Silva, morador em Ouro Preto; Miguel Henriques,
mercador em Ribeirão do Carmo.29
Os negócios internos que os cristãos-novos faziam no Brasil obrigavam-nos a
viajar pelas mais distantes regiões, o que levou à criação de verdadeiras
redes comerciais. Para isso precisavam de apoio e confiança, o que lhes
vinha dos seus secretos amigos cristãos-novos, mesmo sabendo que, se presos,
todos se denunciariam, uns aos outros.
O "judaísmo" de que foi acusado Domingos Nunes deixa o historiador com
enormes dúvidas, mas parece que desde sua infância fora doutrinado na fé
judaica. Tinha uma casa montada em Minas, para onde trazia "carregações" com
mercadorias diversas. Cruzava continuamente diversas regiões da colônia,
mantendo contatos com os principais mercadores. Quando o puseram na tortura,
Domingos acusou todos seus companheiros que viviam nas regiões de Caeté,
Cachoeira, Paraopeba, Congonhas, Vila Pitangui, arraial de Antônio Pereira,
minas do Fanado, Serro Frio, Rio das Mortes, além de muitos do Rio de
Janeiro, Bahia, Santos. Domingos também procurou utilizar-se de diversas
estratégias para salvar sua vida, mas acusaram-no os "espias" que haviam
sido encarregados de vigiar seu cárcere durante 24 horas, de que havia
"jejuado judaicamente" , olhando o céu e ter feito "gestos judaicos". Ainda
mais "de escrever algo secretamente numa taboa de seu estrado e logo apagar
o que tinha escrito para que ninguém o lesse". Domingos, depois de ter
justificado todos seus atos, inclusive de não ter comido no cárcere porque
queria matar-se, acabou como todos os réus, confessando sua cumplicidade no
crime de judaísmo.30
As diversas sociedades marranas secretas que se criaram em Minas Gerais
acompanharam a rota do ouro. Em cada vila do ouro ou arraial que se fundava,
organizavam- se imediatamente os encontros clandestinos. Essas reuniões
secretas se realizavam principalmente em algumas casas de Ouro Preto, Tijuco
(a zona dos diamantes), Rio das Mortes, Ribeirão do Carmo. Aí se articulavam
os negócios e se confirmava a confiança e aí também se construiu, ao mesmo
tempo, uma força de resistência aliada e um sentimento do mundo, que foi o
Marranismo . Dessa sociedade subterrânea faziam parte cripto-judeus, laicos,
céticos, homens que se identificavam não sempre pela fé ou comportamento,
mas pela sua condição de excluídos e por suas criticas à religião católica.
Essas sociedades secretas das Minas, com seus cripto-judeus e seus
descrentes, não foi um fenômeno novo, mas a continuidade de um longo
processo, já amadurecido depois de dois séculos de experiências vividas e
transmitidas no Brasil. Nasceu com a formação dos primeiros núcleos
populacionais, logo após o descobrimento do Brasil, em S. Vicente, São
Paulo, na Bahia, em Pernambuco e se espalhou pela colônia a medida em que
era desbravado o território e chegavam os novos colonos, aventureiros,
fugitivos das perseguições inquisitoriais de Portugal.
Uma vez desvendada a rota do ouro, os Inquisidores ordenaram que fossem
procurados os moradores de origens judaicas, e as principais zonas visadas
foram também as mais prósperas, o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nesse mesmo
tempo deu-se uma intensa busca de cristãos-novos na Paraíba, sendo presos
aproximadamente 49 lavradores, a maioria ligada à produção de açúcar.
A perseguição dos cristãos-novos de Minas Gerais acompanhou o mesmo modelo
adotado, durante os dois séculos anteriores, em todo império português:
atingiu aqueles cristãos-novos cujos pais, avós, irmãos já tinham passado
pelos cárceres de Lisboa, sendo que muitos pertenciam às mais antigas
famílias da colônia, aí já radicadas desde os séculos 16 e 17.
As práticas judaicas em Minas Gerais mencionadas nos processos
inquisitórias, aparecem revestidas de um forte simbolismo. As comunicações
secretas eram feitas muitas vezes através de códigos. De uma maneira geral
as cerimônias eram as mesmas que as praticadas pelos cristãos-novos em
Portugal e na América Espanhola ou em outras regiões do Brasil: vinham
calcadas nas tradições com algumas omissões e alguns sincretismos.
Concentravam- se principalmente nos jejuns do Yom Kipur, na guarda do sábado,
na comemoração da Páscoa e na festa chamada da "rainha Ester", acompanhadas
de algumas restrições alimentares. A idéia de um Deus Único, criador do
Universo e as rejeições da salvação pela lei de Cristo, das imagens e da
confissão, completam o quadro da religiosidade marrana. O principal divisor
das águas entretanto foi a questão do Messias, que estudo em outro trabalho.
Com Max Weber, podemos repetir que a necessidade religiosa dos marranos
respondia a necessidade de uma compensação. A memória da história passada,
do exílio da Babilônia até a Inquisição, acompanhada da promessa e esperança
de redenção, ofereceu aos portugueses de origens judaicas uma justificativa
para existir e para o seu contínuo sofrimento. O desejo de "pertencer" uniu
crentes e laicos e perdurou durante 3 séculos, desafiando as mais pesadas
ameaças erguidas pelo sistema político-religioso português.
A história dos cristãos-novos em Minas Gerais, ao mesmo tempo em que
apresenta similaridades com o fenômeno marrano em Portugal e outras regiões
do Brasil, contem algumas especificidades. O seu estudo implica no
conhecimento, tanto das peculiaridades regionais e conjunturais como da
bagagem cultural que os portugueses trouxeram de suas origens judaicas.
NOTAS
1 Os nomes dos 57 prisioneiros de Minas Gerais são inéditos e foram
microfilmados no ano de 1965, quando uma Bolsa da Fundação Calouste
Gulbenkian me permitiu passar um ano pesquisando nos Arquivos Portugueses.
As cópias de alguns processos foram cedidas a alunos de pós-graduação, na
base das quais elaboraram suas dissertações de Mestrado. A lista completa,
com os números de seus respectivos processos, constam do artigo de Novinsky,
Anita "Marranos and the Inquisition on the Gold Route in Minas Gerais,
Brazil" in The Jews and the Expansion of Europa to the West, 1450-1800" New
York/Oxford: Bergham Books, Oxford, 2001, pp. 215-241 e também em Novinsky,
Anita, Prisioneiros Brasileiros na Inquisição, Rio de Janeiro: Expressão e
Cultura, 2001. (a sair)
2 SALVADOR, J. Gonçalves. Os cristãos-Novos em Minas Gerais durante o Ciclo
do Ouro. São Paulo, Pioneira, 1992.
3 LIMA Júnior, Augusto. A Capitania de Minas Gerais. Belo Horizonte:
Itatiaia, 1978.
4 Habilitação da Ordem de Cristo, Letra G, Maço 6, nº 66, apud SALVADOR, Op.
cit. p. 7 nota 1. Existe uma denúncia contra certo Garcia Rodrigues Paes
Leme, datada do ano de 1796, por ter pregado desobediência a Igreja.
Inquisição de Lisboa nº5529, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, manuscrito.
5 Inquisição de Lisboa nº 6.515, Arquivo Nacional da Torre do Tombo,
manuscrito. Veja BROMBERG, Raquel Mizrahi. A Inquisição no Brasil: Um
capitão-mór judaisante. São Paulo: Ed. Centro Estudos Judaicos, USP ,1984.
6 NOVINSKI Anita. Inquisição, Inventários de Bens Confiscados a
Cristãos-Novos no Brasil - século XVIII. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da
Moeda, 1978, pp.223-224.
7 Sobre Manoel Nunes Viana, veja "o Processo de Miguel de Mendonça
Valladolid, Inquisição de Lisboa 9.973". Lisboa, Arquivo Nacional da Torre
do Tombo, manuscrito e Manuscritos não catalogados "caixa 676, século XVIII,
anos 1703 -1710, 29 janeiro 1710 e caixa 83, ano 1719. Lisboa, Arquivo
Histórico e Ultramarino, manuscritos. Veja também SALVADOR, J. Gonçalves. Os
cristãos-novos, op. cit., p. 11.
8 Um Tratado intitulado Itinerário Geográfico impresso na Tipografia de
Antônio da Silva em 1732, de autoria de Francisco Torres de Brito, era
clandestinamente distribuído e dava instruções de como chegar às Minas. Uma
cópia desse itinerário encontra-se na John Carter Brown Library, Providence,
Rhode Island.
9 O primeiro poeta que aparece na região das Minas, no século XVIII, é
Antônio Ferreira Dourado, preso pela Inquisição em Vila Boa de Goiás. Foi
condenado no auto de fé de 1761 a Cárcere e Hábito Penitencial a Arbítrio
dos Inquisidores. Inquisição de Lisboa, processo nº 6.268. Lisboa, Arquivo
Nacional da Torre do Tombo, ms. A Inquisição lhe confiscou 24 kg. de ouro.
10 Veja LEWKOWICZ, Ida. "Confiscos do Santo Ofício e formas de riquezas nas
Minas Gerais no século XVIII". In Inquisição. Ensaios sobre Mentalidade,
Heresia e Arte. (org.) Anita Novinsky e Maria Luiza Tucci Carneiro. São
Paulo: Expressão e Cultura/EDUSP, 1992, pp. 208-224.
11 Inquisição. Uma Avaliação de Bens Confiscados a Judeus Brasileiros -
século XVIII. Exemplar único, datilografado, oferecido pelo autor à Anita
Novinsky e nunca publicado.
12 Idem.
13 Idem.
14, SALVADOR, J. Gonçalves. Os Magnatas do Tráfico Negreiro. São Paulo:
Pioneira, 1981.
15 NOVINSKY, Anita. Inquisição. Op. cit.
16 Idem, pp. 157,168 e 247.
17 PIJNING, Ernest. Controling Contraband: Mentality, Economy and Sociey in
Eighteenth Century. Rio de Janeiro. Doctor Dissertation. John Hopkins
University, 1997.
18 Idem.
19 NOVINSKY, Anita. Rol dos Culpados. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura,
1992.
20 NOVINSKY, Anita."The Inquisition and the Mythic World of a Portuguese
Cabalist in the 18th, century". In Proceedings of the Eleventh World
Congress of Jewish Studies. Jerusalém, pp. 115-122, 1994.
21 Sobre Diogo Correa do Valle, veja NOVINSKY, Anita. "A Inquisição no
Brasil, Judaisantes ex-alunos da Universidade de Coimbra". In Universidade.
História. Memória. Perspectivas. Actas do 4º Congresso de História da
Universidade, 7º centenário. Coimbra, pp. 315-327, 1991.
22 Processo de Luís Miguel Correa. Inquisição de Lisboa nº 9.249. Arquivo
Nacional da Torre do Tombo, ms.
23 Processo de Diogo Correa do Vale. Inquisição de Lisboa nº 821. Arquivo
Nacional da Torre do Tombo, Lisboa, ms.
24 Processo de Luis Miguel Correa, op. cit.
25 Veja MORIN, Edgard. Mes Démons. Paris: Ed. Stock, 1994, pp. 138-184 e
NOVINSKY, Anita. "A critical Approach to the Historiography of Marranos in
the light of New Documents". In Studies on the History of Portuguese Jews
from their Expulsion in 1947 through their Dispersion. co-ed. Israel Katz
and M. Mitchell Serels, New York: The American Society of Sephardic Studies,
2000, pp. 107-118.
26 Processo de Diogo Nunes Henriques. Inquisição de Lisboa nº 7.487. Arquivo
Nacional da Torre do Tombo, ms
27 Idem.
28 Processo de Domingos Nunes. Inquisição de Lisboa nº 1779. Arquivo
Nacional da Torre do Tombo, ms.
29 Idem.
30 Idem.
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Existe algumas controvérsias sobre os judeus convertidos terem adotado nome
de bichos e árvores ou não. Recentemente teve uma matéria no JB sobre o
assunto. Muitos históriadores divergem dessa idéia sobre os nomes do judeus
convertidos. Vou ver se as encontro e repasso aqui no fórum. Enquanto isso
leiam a execelente matéria da professora de história da USPAnita Novinsky
sobre os Marranos nas Minas Gerais.
"Baseado em 57 Processos inéditos de marranos (cristãos-novos, conversos)
presos em Minas Gerais no século XVIII, este artigo procura mostrar seu
papel na Idade de Ouro do Brasil. 64% deles eram mercadores e 23% eram
mineiros. Pertenciam à classe média e raros eram os magnatas. Nenhum dele
esteve envolvido no tráfico negreiro. Acusados do crime de judaísmo e de
pertencerem a sociedades secretas, representaram 42% dos brasileiros
condenados à morte. Ser marrano entre os portugueses no Brasil mais um
sentimento e uma visão de mundo do que uma prática religiosa.
Minas Gerais foi no século XVIII uma das regiões mais procuradas pelos
cristãos-novos portugueses. Cada nau que saía do Tejo trazia refugiados ou
aventureiros cristãos-novos para o Brasil. Tomando conhecimento da
prosperidade da região, do afluxo do ouro e das possibilidades
confiscatórias, a Inquisição ordenou uma persistente fiscalização e algumas
dezenas de portugueses foram presos, acusados de praticar a religião
proibida: o judaísmo. Alguns já estavam estabelecidos nas regiões auríferas
desde o início do século.
Este artigo é o extrato de um livro em elaboração sobre os marranos em Minas
Gerais. Procuro aqui dar algumas pinceladas a esse quadro multicolor que foi
a sociedade marrana mineira. Os dados que apresento baseiam-se todos em
pesquisas colhidas em manuscritos ainda inéditos, principalmente nos
processos de 57 prisioneiros, 11 dos quais já tinham nascido no Brasil.
Atualmente desenvolvo uma nova história sobre Minas, procurando analisar a
sociedade nas suas dobras ocultas e dar a conhecer a origem judaica dos
mineiros e seu comportamento, que fugia aos padrões obrigados pela Igreja.
Quem foram os primeiros povoadores marranos de Minas, os fundadores das
primeiras vilas do ouro, os construtores dos primeiros arraiais e
principalmente o que pensavam? Que imagens do mundo transmitiam, como se
explica de um lado a forte resistência ao catolicismo e de outro seu
completo desaparecimento?
Somente a análise minuciosa da documentação manuscrita permitirá desvendar o
lado oculto da sociedade marrana brasileira, e corrigir mal entendidos e
erros interpretativos. É lamentável que a experiência marrana no Brasil não
faça parte ainda dos livros de história e que continue totalmente ignorada
pelos historiadores estrangeiros.
Os cristãos-novos ou marranos que desbravaram as selvas, cultivaram a terra,
apresaram índios, guerrearam os jesuítas, foram homens totalmente diferentes
dos judeus de origem ashkenazi, assim como dos conversos sefaradins que se
dispersaram pela Itália, Holanda, França ,norte da África, Levante e outros
lugares do mundo. Falar dos cristãos-novos generalizando sua atuação e sua
mentalidade tem levado a uma concepção errônea do que foi o fenômeno
marrano, especificamente o brasileiro.
Na primeira metade do século XVIII foram presos algumas dezenas de
cristãos-novos de Minas Gerais acusados de judaísmo.
1 Com exceção das profundas e exaustivas pesquisas genealógicas feitas por
José Gonçalves Salvador, a historiografia brasileira nada praticamente
apresenta de científico sobre as atividades econômicas e a vida cotidiana e
social dos marranos em Minas Gerais. 2 Eminentes historiadores brasileiros,
por não utilizarem as fontes inquisitoriais minimizaram ou ignoraram o papel
que representaram os descendentes dos judeus na colonização do Brasil, tanto
do ponto de vista econômico, como social e cultural. A afirmação de eminente
historiador de que "raramente se encontravam em Minas Gerais processos
contra cristãos-novos por práticas judaizantes, " precisa hoje ser
reconsiderada. 3 Existe uma numerosa documentação sobre Minas Gerais nos
arquivos do extinto Tribunal da Inquisição em Portugal, que revela uma
presença considerável de colonos de origens judaicas, condenados por
praticas religiosas ou por suas idéias.
Afastados há mais de um século da cultura judaica e altamente assimilados, o
estilo de vida aventureiro e violento dos marranos brasileiros diferencia-se
fundamentalmente daquele vivido pelos judeus em outras regiões. Para dar um
exemplo da atuação dos cristãos-novos ou marranos no contexto político e
social mineiro, quero lembrar três personagens de origens judaicas que se
destacaram na vida política e administrativa: Garcia Rodrigues Pais, Miguel
Telles da Costa e Manuel Nunes Viana. Garcia Rodrigues Pais era filho de
Fernão Dias Pais, o "caçador de esmeraldas" ,e foi responsável pela
organização da primeira expedição desbravadora e fundadora de Minas Gerais,
constrindo o chamado "Caminho Novo", conhecido também como "Caminho do
Comércio".
Esse caminho abreviava consideravelmente a distância do Rio de Janeiro,
porto de onde afluíam as principais mercadorias de Portugal para Ouro Preto.
Em 1702, Garcia Rodrigues Pais Leme, em recompensa aos serviços prestados a
Coroa foi nomeado "Guarda Mor Geral das Minas", e obteve o título de fidalgo
da Casa Real, o que lhe conferiu tão grande prestigio que o levou a
solicitar em 1710 sua admissão à prestigiosa Ordem de Cristo.
O ingresso lhe foi recusado por ser infamado de "cristão-novo por parte de
sua avó materna".4 A legislação discriminatória e o preconceito contra os
descendentes de judeus chegou a atingir os portugueses e brasileiros até a
5ª e 6ª geração. Temos poucas noticias sobre os sentimentos judaicos de
Garcia Rodrigues Pais Leme, pois nunca foi preso pela Inquisição. Apesar de
no Brasil a luta pela sobrevivência ter abrandado as barreiras que separavam
cristãos-velhos dos cristãos-novos, estes, devido às suas críticas às
imposições econômicas e ideológicas da Metrópole eram vistos com
desconfiança pela governança portuguesa. Mas havia um fator decisivo que
facilitava o ingresso dos cristãos-novos nas elites locais: o volume de seus
bens. No Brasil podia-se, através da riqueza, "branquear a pele" e "apagar a
mancha" do sangue judeu.
O segundo personagem que nos primórdios da história de Minas exerceu
importante cargo administrativo foi o capitão-mór Miguel Teles da Costa,
sobre o qual temos numerosas notícias, pois foi preso pela Inquisição em
1713 e acusado de judaísmo.5 O monarca português o havia nomeado capitão-mor
das vilas de Itanhaen, Ilha Grande e Parati.
Era proprietário de terras em Nossa Senhora do Carmo, sendo um dos primeiros
povoadores da região. Fazia parte da sociedade secreta de cristãos-novos,
constituída por um grupo de comerciantes e mineradores residentes no Rio das
Mortes, entre os quais também encontramos o cristão-novo Francisco Matheus
Rondon, guarda mor do Rio das Mortes.
Miguel Teles da Costa foi preso no Rio de Janeiro juntamente com outros
cristãos-novos, acusados todos de serem adeptos da Lei de Moisés. Mercador
de posses enviava produtos coloniais para seus sócios em Lisboa, sendo um
deles seu irmão Francisco Mendes de Castro. Do Rio de Janeiro também mandava
"carregações" para as Minas Gerais, auxiliado por seu sobrinho Diogo Lopes
Flores. Em 1704 enviou 20 ou mais cargas de fazendas para o Rio das Mortes,
região de onde se extraía grande quantidade de ouro.
Tinha plantações de milho e feijão, possuía escravos negros e cavalos, armas
e diversos bens móveis, conforme consta de seu inventário.6 Construiu sua
residência fixa em Rio das Mortes que depois transformou em estalagem, onde
se abrigavam seus companheiros que vinham negociar nas Minas. Miguel Teles
da Costa foi a principal autoridade da região, cuidava da defesa e
supervisionava a entrada nas Minas, onde só era permitida a penetração com
"licença especial". Em certa ocasião foi "recriminado" por ter favorecido a
entrada de "certas pessoas", provavelmente cristãos-novos ,"sem licença".
Apesar de todo seu prestígio e de ter sob sua jurisdição as terras mineiras,
não conseguiu fugir dos agentes da Inquisição que rondavam a região. Preso,
levado aos cárceres inquisitórias, torturado, teve toda sua fortuna
confiscada. Saiu em auto-de-fé em Lisboa e morreu louco e indigente.
Um terceiro personagem, dos mais curiosos da história colonial, foi o
cristão-novo Manuel Nunes Viana.7 Sobre sua personalidade violenta,
estranha, paradoxal e seu envolvimento numa guerra civil com os paulistas
pela posse das terras mineiras temos notícias detalhadas. Mas sobre suas
crenças sabemos muito pouco.
De origens judaicas, era amigo íntimo de Miguel de Mendonça Valladolid,
homem de negócios que percorria as rotas do comércio São Paulo, Rio de
Janeiro, Minas, Bahia, Colônia do Sacramento, e que lhe ensinou as orações
judaicas. Nasceu em Viana do Castelo e fez fortuna na Bahia e Minas Gerais
comerciando escravos e ouro. Em 1710 era proprietário de várias e lucrativas
minas de ouro em Caeté e outras regiões e tinha o monopólio do abastecimento
de carne para as Minas Gerais. Foi líder, em 1708, da facção mineira na
sangrenta "guerra dos Emboabas". Participou em um verdadeiro massacre no
Capão da Traição, quando numerosos paulistas, cristãos-novos e velhos, foram
mortos. Ficou conhecido na história do Brasil como o "Rei dos Emboabas", e
foi aclamado governador interino de toda região mineira. Apesar de suas
desavenças com o Vice-Rei, recebeu Carta de Mercê do Rei de Portugal pelos
seus "relevantes serviços". Excepcionalmente foi aceito na prestigiosa e
elitista Ordem de Cristo não obstante sua origem judaica, o que mostra a
arbitrariedade com que se aplicavam as "leis de limpeza".
Manuel Nunes Viana, mal era alfabetizado mas tinha algumas ambições
culturais. Depois de vitorioso financiou, em 1728, a publicação de um livro
de Nuno Marques Pereira "Compêndio do Peregrino da América, obra que teve
enorme sucesso. Consta que tinha uma biblioteca e também chegou a financiar
a impressão de 3º volume das Décadas de Diogo do Couto. Manuel Nunes Viana
vivia como muitos cristãos-novos, dividido entre dois mundos. Num deles
pronunciava as preces judaicas, no outro levava suas duas filhas para serem
freiras em um convento de Lisboa.
A ocupação do território em terras mineiras se processou diferentemente de
outras regiões da América. As oportunidades de enriquecer e ascender nas
Minas eram muitas, mais fáceis e mais rápidas que na sociedade açucareira.
Os cristãos-novos espalhados por todo território brasileiro mantinham entre
si uma ampla rede de comunicações, e o fato de estarem dispersos pela
América e pelo mundo abriu-lhes uma frente para as transações econômicas com
a qual os cristãos-velhos dificilmente podiam competir. Portugal exercia um
controle rigoroso sobre a região, principalmente devido ao intenso
contrabando nos portos brasileiros e a massa de aventureiros estrangeiros
que procurava chegar ao território sem licença. Parece que os cristãos-novos
conheciam algumas facilidades para se chegar às Minas.8
Nas regiões mineiras da Bahia, do Rio de Janeiro e de Goiás, cristãos-novos
estavam envolvidos nas mais diversas atividades. Compravam e vendiam
escravos e gêneros necessários para os moradores, eram pecuaristas e
abasteciam de carne toda a região. Trabalhavam na extração do ouro, eram
artesãos, e havia entre eles alguns médicos e advogados. Adquiriam livros e
escreviam poemas.9
Examinando os documentos referentes às profissões e à declaração dos bens
confiscados pela Inquisição aos cristãos-novos em Minas Gerais, encontramos
23% dos condenados dedicando-se à mineração, sendo que 64% aparecem como
comerciantes e 6% como agricultores. 14 Os mais prósperos cristãos-novos do
ponto de vista econômico, eram aqueles cujas atividades combinavam a
mineração, lavoura e o comércio de escravos e mercadorias diversas.
Em Ouro Preto por exemplo, no ano de 1740, as maiores fortunas se
concentravam nas mãos de cristãos-novos que combinavam simultaneamente
diversas ocupações. Assim Ignacio Dias Cardoso vem mencionado como
agricultor, negociante, mineiro e dono de plantações de milho e feijão. Era
proprietário de 2 engenhos possuindo extensões de terras nas quais explorava
o mineral, chegando a acumular uma fortuna de 26;295$311 réis. Contudo, de
um modo geral, são poucos os cristãos-novos que aparecem com fortuna
comparável à do magnata Francisco Ferreira Izidro, que chegava a 10;709$000
réis ou de Manuel de Albuquerque e Aguilar, talvez o mais rico dos
cristãos-novos, com 57;330$000 réis.10
Uma avaliação inicial e aproximada dos bens que foram confiscados aos
cristãos-novos condenados em diversas regiões do Brasil, baseada em 130
inventários que publiquei, foi feita pelo infatigável pesquisador sobre
marranos, tragicamente desaparecido, Flávio Mendes de Carvalho.11 Os
resultados que apresenta podem trazer alguma luz sobre as condições
financeiras de um certo número de marranos brasileiros: 78% dos 129
condenados que analisou, pertenciam à classe media e apenas 5,4% eram
grandes magnatas que contribuíram com 52% dos bens que foram confiscados,
sendo que quase a metade do total proveio dos senhores de engenho. Parece,
segundo essa avaliação, que os mais ricos eram os cristãos-novos que viviam
na Bahia, seguidos pelos do Rio de Janeiro e em terceiro lugar vem os de
Minas Gerais. Analisando apenas 129 casos, o patrimônio médio, avaliado em
ouro, que foi confiscado entre 1704 e 1761 por Capitania foi:
Bahia - 48.846 gramas de ouro
Rio de Janeiro - 44.927 gramas de ouro
Minas Gerais - 35.850 gramas de ouro
Goiás - 17.119 gramas de ouro
Pernambuco - 5.484 gramas de ouro
Paraíba - 2.646 gramas de ouro
São Paulo - 2.106 gramas de ouro12
O rei D. João V, durante seu reinado, recebeu uma renda de 379 toneladas de
ouro provenientes do Brasil.13
O sistema que impulsionou a estrutura econômica na América Lusitana foi,
como sabemos, a escravidão. O tráfico de escravos tornou-se a atividade
comercial mais rentável na colônia e contratadores, autorizados pela Coroa
portuguesa, traziam negros que já eram esperados por mercadores
cristãos-novos nos portos do Rio de Janeiro e Bahia. Nesses portos faziam
seus carregamentos e os levavam para as Minas onde os revendiam, em geral a
crédito. José Gonçalves Salvador, que publicou um trabalho sobre os
"magnatas do tráfico negreiro" afirma que esses traficantes eram
principalmente cristãos-novos, mas não apresenta nenhuma documentação que
prove essa constatação. Suas conclusões se apoiam apenas na evidência dos
nomes mais comuns entre os cristãos-novos. 14 É totalmente impossível
tirarmos qualquer conclusão sobre a origem cristã-velha ou cristã-nova dos
luso-brasileiros baseando-nos em evidência onomástica, uma vez que todos
nomes dentre os cristãos-novos encontram-se também entre os cristãos velhos.
Tomando ainda como fonte, dentre centenas de cristãos-novos que foram presos
no Brasil, apenas os bens declarados por cento e trinta cristãos-novos,
encontrei na primeira metade do século XVIII, vinte e cinco cristãos-novos
residentes ou assistentes nas Minas Gerais.15 Nenhum destes vinte e cinco
cristãos-novos declarou ser traficante de escravos. Constam como compradores
, vendedores e transportadores de "carregações" de uma região para outra do
Brasil. Não devemos confundir comerciantes de escravos com os
"contratadores" , grandes capitalistas que faziam as viagens para a África em
busca de negros, muitas vezes em barcos próprios ou através de agentes.
Interessante que, também no Rio de Janeiro, entre os 71 cristãos-novos por
mim inventariados, não encontrei nenhum que trouxesse carregação de escravos
de ultra mar. Apenas a Bahia aparece como exceção: entre vinte e um presos
inventariados, três traficavam negros da África: José da Costa que ia
buscá-los em Angola e na Costa da Mina, Antônio Cardoso Porto, também
chamado Belchior Mendes Corrêa, que os trazia da Costa da Mina e Tomás Pinto
Corrêa ,que trazia "carregações" de negros de Angola mas que pertenciam a
"várias pessoas".16
Os laços familiares eram condição fundamental nas transações comerciais
realizadas pelos cristãos-novos nas Minas. Os conhecidos mercadores Davi de
Miranda, Damião Rodrigues Moeda, Francisco Nunes de Miranda, João de Moraes
Montesinhos, entre muitos outros, negociavam sempre ligados aos seus
parentes.
A mobilidade dos cristãos-novos na colônia brasileira foi freqüente e
ininterrupta. Apesar de encontrarmos famílias radicadas durante gerações nas
mesmas regiões, de um modo geral a população cristã-nova apresentava uma
grande instabilidade. A vigilância constante a que estavam expostos por
parte dos agentes inquisitoriais, muitas vezes impedia a sua radicação, mas
foram também interesses econômicos que os levavam a residir temporariamente
em vários lugares. Francisco Nunes de Miranda, por exemplo, tinha casa na
Bahia, Rio de Janeiro e Rio das Mortes e fazia negócios com o magnata
Francisco Pinheiro e com seu parente José da Costa que trazia escravos da
Costa de Marfim e Angola para o Brasil.
Contrabando, fraudes, roubos era o cotidiano das Minas, mas no ano de 1725
seu grau foi alarmante. O próprio governador, D. Lourenço de Almeida foi um
infatigável contrabandista de diamantes. Tanto cristãos velhos como
cristãos-novos realizavam o tráfico ilegal, que no tempo não era visto como
uma grave contravenção moral, mas comumente aceito nas práticas comerciais e
encarado como parte inerente das atividades metropolitanas e coloniais.17 Na
corte, nos mares, nos mercados, padres da Igreja, homens de Estado,
mercadores, mineiros, senhores de engenho, lojistas, profissionais e
artesãos aceitavam a prática do contrabando como algo inevitável.18 A
Metrópole procurou continuamente, sem sucesso, controlar essas fraudes. As
denúncias eram graves, principalmente sobre uma "casa da Moeda" ilegal,
clandestina, na qual aparece também envolvido o rico cristão-novo Manuel de
Albuquerque Aguilar .
Apesar do estágio inicial em que se encontram as investigações sobre a
população cristã-nova em Minas Gerais, podemos dizer que seu número foi
relativamente alto, uma vez que incluía também os "assistentes" que residiam
no Rio de Janeiro e na Bahia, mas que passavam longos períodos em Minas
Gerais. No "Livro dos Culpados", que é a principal fonte para o conhecimento
da população cristã-nova no Brasil, encontramos anotados os nome de todos os
cristãos-novos suspeitos, denunciados ou que foram presos. Nele estão
registrados 150 cristãos-novos residentes ou assistentes em Minas Gerais.19
O número de cristãos-novos em algumas cidades do Brasil ultrapassou o número
de judeus que viviam em Amsterdã no período de sua maior efervescência
econômica e cultural. Mas devemos ter em mente, que somente é possível obter
dados demográficos sobre cristãos-novos em determinadas regiões do Brasil,
através da contagem daqueles que foram presos pela Inquisição ou a ela
denunciados como judaizantes. O número total será portanto sempre impreciso,
pois a maior parte dos cristãos-novos que vieram para o Brasil não foram
presos, e diluíram-se em meio a população brasileira. Em Minas Gerais
arrolamos, até o presente, aproximadamente 500 cristãos-novos entre
denunciados e presos.
Analisando apenas 57 condenados de Minas Gerais temos o seguinte quadro:
O maior número de prisões de cristãos-novos foram feitas nos anos de grande
produção aurífera 1728, 1729, 1730, 1732 e 1734, sendo seu número mais alto
em 1728 e 1729 ,com 8 prisioneiros cada ano. No Brasil foram queimados 21
cristãos-novos (2 em estátua e 19 em carne) .Entre os queimados em carne, 8
residiam ou "assistiam" em Minas Gerais, isto é aproximadamente 42%. Dos
prisioneiros do Brasil somente os acusados de judaísmo receberam como
sentença a pena de morte.
Foram queimados "em carne" em Minas Gerais :
1. Miguel Mendonça Valadolid 1731
2. Diogo Corrêa do Valle 1732
3. Luís Miguel Corrêa 1732
4. Domingos Nunes 1732
5. Manoel da Costa Ribeiro 1737
6. Luís Mendes de Sá 1739
7. Martinho da Cunha Oliveira 1747
8. João Henriques 1748
Entre os 57 cristãos-novos mencionados, não incluí o judaizante cabalista
Pedro Rates Henequim, queimado em 1748, que havia vivido 20 anos em Minas
Gerais, porque as "investigações de genere" o deram como cristão-velho, mas
não temos sobre sua origem, muita certeza.20
A história dos marranos de Minas Gerais, como de todo o Brasil, revela, como
já escrevi, grande diversidade de comportamento, uma rebeldia frente a
Igreja e uma ânsia de liberdade que se expressa tanto entre os que
judaizavam como entre os laicos.
Examinando os processos de Diogo Corrêa do Vale e seu filho Luiz Corrêa,
ambos presos em Minas Gerais, temos confirmada a opinião do padre Antônio
Vieira, sobre o funcionamento do Tribunal e a inocência dos réus. Diogo
nasceu em Sevilha e residia no Porto. Doutor em medicina pela Universidade
de Coimbra, já viúvo e devido à prisão de vários membros de sua família pela
Inquisição, fugiu com o filho para o Brasil, onde se estabeleceu em Vila
Rica de Ouro Preto. Foi preso em 12 de setembro de 1730, junto com seu filho
Luiz Miguel Corrêa.21 Numa carta enviada pelo familiar do Santo Ofício, Dr.
Lourenço de Valadares Freire aos senhores Inquisidores, datada de Vila Rica
no ano de 1730, ficamos conhecendo os sentimentos de Luiz Miguel Corrêa.
Quando o Tenente Martinho Alvarez o prendeu, murmurou: "dizem que o Santo
Ofício é reto, agora vejo que não, porque prende aos homens inocentes."22
Tanto Diogo Corrêa do Vale como seu filho Luiz Miguel Corrêa foram acusados
de "judaizar"há mais de 20 anos , quando ainda viviam no Porto. Os
Inquisidores não conseguiram juntar nenhuma prova de judaísmo contra ambos,
durante os anos em que viveram em Minas. A prisão de Diogo se deve a
intrigas e antigas rivalidades de seus colegas do Porto e sobre divergências
que tinham quanto ao tratamento que devia ser dado aos doentes. Alguns
amigos tentaram interceder a seu favor, confirmando sua reta conduta e sua
caridade como cristão e como médico, que "atendia doentes pobres sem
cobrar". Diogo também tentou se defender afirmando, até o fim, serem falsas
todas as acusações, mas os Inquisidores não alteraram sua sentença de morte.
Diogo insistiu ter sempre vivido na Lei de Cristo nela querendo morrer, mas
o que foi decisivo na sua sorte foi sua origem judaica.23
O destino de Luiz Miguel Corrêa foi tão triste quanto de seu pai. Com fortes
inclinações para a vida religiosa, seu apego a fé cristã transparece em todo
seu julgamento. Querendo tornar-se sacerdote, procurou o Bispo do Rio de
Janeiro pedindo que o ajudasse. O Bispo logo o desiludiu, mostrando-lhe quão
inúteis eram seus sonhos de entrar para a Igreja, uma vez que era
cristão-novo e tinha tantos membros de sua família presos pelo Santo Ofício.
Numa desesperada e última tentativa Luiz disse ao Bispo que estava disposto
a vender todos seus escravos e bens para pagar a compra do "exame de limpeza
de sangue", "como tantos faziam". Foi inútil. Na última sessão de seu
julgamento rogou aos Inquisidores que, mesmo se acreditassem na sua
inocência e o declarassem, o condenassem a cárcere perpétuo, para que assim
pudesse tratar de sua salvação "já que não podia ser frade pela impureza de
seu sangue". Dizia ainda que o medo da morte o pusera em tal "desesperação"
que o levou a confessar de si e denunciar outras pessoas "falsamente" ,
afirmando que eram praticantes da Lei de Moisés. Até o último momento Luís
declarou-se inocente do crime que o acusavam, ser judeu. Foi queimado na
mesma tarde que seu pai.24
É importante ressaltar que em Minas Gerais como no restante do Brasil, ser
acusado de judaísmo não se resumia apenas em seguir algumas leis dietéticas,
observar os jejuns, abster-se do trabalho aos sábados, ou obedecer alguns
outros preceitos ordenados pela religião judaica. O marranismo entre os
portugueses no Brasil foi em grande parte uma atitude mental, um sentimento,
uma postura frente a vida.25 Se a maioria dos cristãos-novos no Brasil
conseguiu ultrapassar as barreiras discriminatórias legais impostas pela sua
origem e sangue, ou a discriminação social, e se diluir na sociedade ampla,
houve uma parte que permaneceu marginal e se manteve fiel a tradições, mesmo
que apagadas, herdadas dos seus antepassados. A transmissão da memória de
uma história vivida e sofrida durante séculos, juntamente com a exclusão
legal e social a que estavam sujeitos, reforçou entre os cristãos-novos a
resistência na adoção dos preceitos da Igreja, e criou entre eles uma
postura crítica frente à religião católica. A crítica religiosa foi a grande
contribuição que os cristãos-novos no Brasil deram ao pensamento ilustrado
do século XVIII.
Outro exemplo de um mineiro dissidente é o caso de Diogo Nunes Henriques,
rico homem de negócios, preso nas Minas em 1728.26 Cometeu o crime de
afirmar que "cada um podia viver ou morrer na Lei que melhor lhe parecesse".
Levou-o aos cárceres de Lisboa sua afirmação sobre a liberdade de
consciência, impensável entre a maioria de seus contemporâneos portugueses.
Os Inquisidores ao receberem essa denúncia imediatamente mandaram investigar
"de que terra era natural", seu "modo" de vida, "em que parte" de Minas
morava, e sua "reputação de sangue". Novas "informações" se acumularam,
inclusive a de que sua casa em Ouro Preto era sede da sociedade secreta de
cristãos-novos, onde se reunia uma verdadeira elite mineira: David Mendes,
Domingos Nunes (sobrinho de Diogo Nunes Henriques), o senhor de engenho
Domingos Rodrigues Ramires que tinha residido no Rio de Janeiro, João da
Cruz, o mercador de panos David de Miranda, Francisco Nunes, Duarte
Rodrigues, Manuel Nunes de Paz (filho de Diogo Henriques), Manuel Nunes
Sanches e muitos outros, todos vizinhos.
O retrato que nos ficou de Diogo Nunes Henriques é o de um homem letrado que
se tornou suspeito pelo fato de ser "dado a ler alguns livros".
Cristãos-velhos, que testemunharam contra ele, afirmaram nunca tê-lo visto
rezar, nem ensinar aos seus escravos a doutrina cristã, como era costume na
roça. Um alfaiate afirmou aos agentes investigadores que "nunca viu Diogo
com um rosário de contas, e que se desobrigava do preceito da quaresma,
ensinando essas heresias aos seus escravos". Diogo também chamava a atenção
de seus vizinhos cristãos velhos, pois, quando cansado, suspirava, Ai! Deus!
e nunca pronunciava o nome de Jesus. O crime ainda mais grave: reunia seus
amigos, entre eles vários membros da família Miranda, "para lerem livros".27
No processo de Domingos Nunes, um sobrinho de Diogo Nunes Henriques, também
encontramos interessantes informações sobre o cotidiano dessa sociedade
secreta mineira.28 Foi emitida contra ele uma ordem de prisão, datada do ano
de 1728, mas a Inquisição já estava à sua procura desde o anos de 1726. Só
foi encontrado 2 anos e 7 meses depois da ordem de prisão e entregue a
Inquisição de Lisboa em 12 de outubro de 1730. Denunciaram- no 17
companheiros de negócios, que comerciavam com o Brasil e que foram todos
presos: Gaspar Fernandes Ferreira, (ou Pereira), homem de negócios de Ouro
Preto; Miguel da Cruz, homem de negócios que residia simultaneamente no Rio
de Janeiro; Manuel Nunes da Paz, homem de negócios morador em Minas; Gaspar
Henriques, mineiro da Bahia; Manoel Nunes Bernal, capitão de navio morador
no Rio de Janeiro; Jerônimo Rodrigues, tratante morador na Bahia; Joseph da
Cruz Henriques, dizimeiro-mor, morador no Ribeirão do Carmo; Joseph
Rodrigues Cardoso, sem oficio, natural da Bahia e morador em Ribeirão do
Carmo; Diogo Nunes Henriques, homem de negócios, morador em Ouro Preto e tio
de Domingos Nunes; Antônio da Fonseca Rego, lavrador de cana, natural de
Pernambuco, morador em Paracatu; Antônio Rodrigues Campos, lavrador de
mandioca, morador na Bahia; Diogo Dias Corrêa, sem oficio, morador em
Santos; Luiz Vaz de Oliveira, natural da Espanha e morador em Ribeirão do
Carmo; David Mendes da Silva, morador em Ouro Preto; Miguel Henriques,
mercador em Ribeirão do Carmo.29
Os negócios internos que os cristãos-novos faziam no Brasil obrigavam-nos a
viajar pelas mais distantes regiões, o que levou à criação de verdadeiras
redes comerciais. Para isso precisavam de apoio e confiança, o que lhes
vinha dos seus secretos amigos cristãos-novos, mesmo sabendo que, se presos,
todos se denunciariam, uns aos outros.
O "judaísmo" de que foi acusado Domingos Nunes deixa o historiador com
enormes dúvidas, mas parece que desde sua infância fora doutrinado na fé
judaica. Tinha uma casa montada em Minas, para onde trazia "carregações" com
mercadorias diversas. Cruzava continuamente diversas regiões da colônia,
mantendo contatos com os principais mercadores. Quando o puseram na tortura,
Domingos acusou todos seus companheiros que viviam nas regiões de Caeté,
Cachoeira, Paraopeba, Congonhas, Vila Pitangui, arraial de Antônio Pereira,
minas do Fanado, Serro Frio, Rio das Mortes, além de muitos do Rio de
Janeiro, Bahia, Santos. Domingos também procurou utilizar-se de diversas
estratégias para salvar sua vida, mas acusaram-no os "espias" que haviam
sido encarregados de vigiar seu cárcere durante 24 horas, de que havia
"jejuado judaicamente" , olhando o céu e ter feito "gestos judaicos". Ainda
mais "de escrever algo secretamente numa taboa de seu estrado e logo apagar
o que tinha escrito para que ninguém o lesse". Domingos, depois de ter
justificado todos seus atos, inclusive de não ter comido no cárcere porque
queria matar-se, acabou como todos os réus, confessando sua cumplicidade no
crime de judaísmo.30
As diversas sociedades marranas secretas que se criaram em Minas Gerais
acompanharam a rota do ouro. Em cada vila do ouro ou arraial que se fundava,
organizavam- se imediatamente os encontros clandestinos. Essas reuniões
secretas se realizavam principalmente em algumas casas de Ouro Preto, Tijuco
(a zona dos diamantes), Rio das Mortes, Ribeirão do Carmo. Aí se articulavam
os negócios e se confirmava a confiança e aí também se construiu, ao mesmo
tempo, uma força de resistência aliada e um sentimento do mundo, que foi o
Marranismo . Dessa sociedade subterrânea faziam parte cripto-judeus, laicos,
céticos, homens que se identificavam não sempre pela fé ou comportamento,
mas pela sua condição de excluídos e por suas criticas à religião católica.
Essas sociedades secretas das Minas, com seus cripto-judeus e seus
descrentes, não foi um fenômeno novo, mas a continuidade de um longo
processo, já amadurecido depois de dois séculos de experiências vividas e
transmitidas no Brasil. Nasceu com a formação dos primeiros núcleos
populacionais, logo após o descobrimento do Brasil, em S. Vicente, São
Paulo, na Bahia, em Pernambuco e se espalhou pela colônia a medida em que
era desbravado o território e chegavam os novos colonos, aventureiros,
fugitivos das perseguições inquisitoriais de Portugal.
Uma vez desvendada a rota do ouro, os Inquisidores ordenaram que fossem
procurados os moradores de origens judaicas, e as principais zonas visadas
foram também as mais prósperas, o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nesse mesmo
tempo deu-se uma intensa busca de cristãos-novos na Paraíba, sendo presos
aproximadamente 49 lavradores, a maioria ligada à produção de açúcar.
A perseguição dos cristãos-novos de Minas Gerais acompanhou o mesmo modelo
adotado, durante os dois séculos anteriores, em todo império português:
atingiu aqueles cristãos-novos cujos pais, avós, irmãos já tinham passado
pelos cárceres de Lisboa, sendo que muitos pertenciam às mais antigas
famílias da colônia, aí já radicadas desde os séculos 16 e 17.
As práticas judaicas em Minas Gerais mencionadas nos processos
inquisitórias, aparecem revestidas de um forte simbolismo. As comunicações
secretas eram feitas muitas vezes através de códigos. De uma maneira geral
as cerimônias eram as mesmas que as praticadas pelos cristãos-novos em
Portugal e na América Espanhola ou em outras regiões do Brasil: vinham
calcadas nas tradições com algumas omissões e alguns sincretismos.
Concentravam- se principalmente nos jejuns do Yom Kipur, na guarda do sábado,
na comemoração da Páscoa e na festa chamada da "rainha Ester", acompanhadas
de algumas restrições alimentares. A idéia de um Deus Único, criador do
Universo e as rejeições da salvação pela lei de Cristo, das imagens e da
confissão, completam o quadro da religiosidade marrana. O principal divisor
das águas entretanto foi a questão do Messias, que estudo em outro trabalho.
Com Max Weber, podemos repetir que a necessidade religiosa dos marranos
respondia a necessidade de uma compensação. A memória da história passada,
do exílio da Babilônia até a Inquisição, acompanhada da promessa e esperança
de redenção, ofereceu aos portugueses de origens judaicas uma justificativa
para existir e para o seu contínuo sofrimento. O desejo de "pertencer" uniu
crentes e laicos e perdurou durante 3 séculos, desafiando as mais pesadas
ameaças erguidas pelo sistema político-religioso português.
A história dos cristãos-novos em Minas Gerais, ao mesmo tempo em que
apresenta similaridades com o fenômeno marrano em Portugal e outras regiões
do Brasil, contem algumas especificidades. O seu estudo implica no
conhecimento, tanto das peculiaridades regionais e conjunturais como da
bagagem cultural que os portugueses trouxeram de suas origens judaicas.
NOTAS
1 Os nomes dos 57 prisioneiros de Minas Gerais são inéditos e foram
microfilmados no ano de 1965, quando uma Bolsa da Fundação Calouste
Gulbenkian me permitiu passar um ano pesquisando nos Arquivos Portugueses.
As cópias de alguns processos foram cedidas a alunos de pós-graduação, na
base das quais elaboraram suas dissertações de Mestrado. A lista completa,
com os números de seus respectivos processos, constam do artigo de Novinsky,
Anita "Marranos and the Inquisition on the Gold Route in Minas Gerais,
Brazil" in The Jews and the Expansion of Europa to the West, 1450-1800" New
York/Oxford: Bergham Books, Oxford, 2001, pp. 215-241 e também em Novinsky,
Anita, Prisioneiros Brasileiros na Inquisição, Rio de Janeiro: Expressão e
Cultura, 2001. (a sair)
2 SALVADOR, J. Gonçalves. Os cristãos-Novos em Minas Gerais durante o Ciclo
do Ouro. São Paulo, Pioneira, 1992.
3 LIMA Júnior, Augusto. A Capitania de Minas Gerais. Belo Horizonte:
Itatiaia, 1978.
4 Habilitação da Ordem de Cristo, Letra G, Maço 6, nº 66, apud SALVADOR, Op.
cit. p. 7 nota 1. Existe uma denúncia contra certo Garcia Rodrigues Paes
Leme, datada do ano de 1796, por ter pregado desobediência a Igreja.
Inquisição de Lisboa nº5529, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, manuscrito.
5 Inquisição de Lisboa nº 6.515, Arquivo Nacional da Torre do Tombo,
manuscrito. Veja BROMBERG, Raquel Mizrahi. A Inquisição no Brasil: Um
capitão-mór judaisante. São Paulo: Ed. Centro Estudos Judaicos, USP ,1984.
6 NOVINSKI Anita. Inquisição, Inventários de Bens Confiscados a
Cristãos-Novos no Brasil - século XVIII. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da
Moeda, 1978, pp.223-224.
7 Sobre Manoel Nunes Viana, veja "o Processo de Miguel de Mendonça
Valladolid, Inquisição de Lisboa 9.973". Lisboa, Arquivo Nacional da Torre
do Tombo, manuscrito e Manuscritos não catalogados "caixa 676, século XVIII,
anos 1703 -1710, 29 janeiro 1710 e caixa 83, ano 1719. Lisboa, Arquivo
Histórico e Ultramarino, manuscritos. Veja também SALVADOR, J. Gonçalves. Os
cristãos-novos, op. cit., p. 11.
8 Um Tratado intitulado Itinerário Geográfico impresso na Tipografia de
Antônio da Silva em 1732, de autoria de Francisco Torres de Brito, era
clandestinamente distribuído e dava instruções de como chegar às Minas. Uma
cópia desse itinerário encontra-se na John Carter Brown Library, Providence,
Rhode Island.
9 O primeiro poeta que aparece na região das Minas, no século XVIII, é
Antônio Ferreira Dourado, preso pela Inquisição em Vila Boa de Goiás. Foi
condenado no auto de fé de 1761 a Cárcere e Hábito Penitencial a Arbítrio
dos Inquisidores. Inquisição de Lisboa, processo nº 6.268. Lisboa, Arquivo
Nacional da Torre do Tombo, ms. A Inquisição lhe confiscou 24 kg. de ouro.
10 Veja LEWKOWICZ, Ida. "Confiscos do Santo Ofício e formas de riquezas nas
Minas Gerais no século XVIII". In Inquisição. Ensaios sobre Mentalidade,
Heresia e Arte. (org.) Anita Novinsky e Maria Luiza Tucci Carneiro. São
Paulo: Expressão e Cultura/EDUSP, 1992, pp. 208-224.
11 Inquisição. Uma Avaliação de Bens Confiscados a Judeus Brasileiros -
século XVIII. Exemplar único, datilografado, oferecido pelo autor à Anita
Novinsky e nunca publicado.
12 Idem.
13 Idem.
14, SALVADOR, J. Gonçalves. Os Magnatas do Tráfico Negreiro. São Paulo:
Pioneira, 1981.
15 NOVINSKY, Anita. Inquisição. Op. cit.
16 Idem, pp. 157,168 e 247.
17 PIJNING, Ernest. Controling Contraband: Mentality, Economy and Sociey in
Eighteenth Century. Rio de Janeiro. Doctor Dissertation. John Hopkins
University, 1997.
18 Idem.
19 NOVINSKY, Anita. Rol dos Culpados. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura,
1992.
20 NOVINSKY, Anita."The Inquisition and the Mythic World of a Portuguese
Cabalist in the 18th, century". In Proceedings of the Eleventh World
Congress of Jewish Studies. Jerusalém, pp. 115-122, 1994.
21 Sobre Diogo Correa do Valle, veja NOVINSKY, Anita. "A Inquisição no
Brasil, Judaisantes ex-alunos da Universidade de Coimbra". In Universidade.
História. Memória. Perspectivas. Actas do 4º Congresso de História da
Universidade, 7º centenário. Coimbra, pp. 315-327, 1991.
22 Processo de Luís Miguel Correa. Inquisição de Lisboa nº 9.249. Arquivo
Nacional da Torre do Tombo, ms.
23 Processo de Diogo Correa do Vale. Inquisição de Lisboa nº 821. Arquivo
Nacional da Torre do Tombo, Lisboa, ms.
24 Processo de Luis Miguel Correa, op. cit.
25 Veja MORIN, Edgard. Mes Démons. Paris: Ed. Stock, 1994, pp. 138-184 e
NOVINSKY, Anita. "A critical Approach to the Historiography of Marranos in
the light of New Documents". In Studies on the History of Portuguese Jews
from their Expulsion in 1947 through their Dispersion. co-ed. Israel Katz
and M. Mitchell Serels, New York: The American Society of Sephardic Studies,
2000, pp. 107-118.
26 Processo de Diogo Nunes Henriques. Inquisição de Lisboa nº 7.487. Arquivo
Nacional da Torre do Tombo, ms
27 Idem.
28 Processo de Domingos Nunes. Inquisição de Lisboa nº 1779. Arquivo
Nacional da Torre do Tombo, ms.
29 Idem.
30 Idem.
terça-feira, agosto 14, 2007
Torremolinos 73
| Rating: | ★★★★★ |
| Category: | Movies |
| Genre: | Other |
Um tema cruel, a luta pela sobrevivência, tratado com humor e delicadeza.
domingo, agosto 12, 2007
sábado, agosto 11, 2007
Nove Noites
| Rating: | ★★★★ |
| Category: | Books |
| Genre: | Mystery & Thrillers |
| Author: | Bernardo Carvalho |
prende a atenção, li em 1 dia.
por conta desse livro descobri a coleção Companhia de Bolso. Tem coisa muito interessante a mais ou menos R$18 cada livro.
O Verde Violentou o Muro
| Rating: | ★★★ |
| Category: | Books |
| Genre: | Travel |
| Author: | Inacio de Loyola Brandão |
No fim quase vira um guia de viagem.
é muito azar!!!
Pequim, 11 ago (EFE).- Cinco pessoas morreram, entre elas três crianças, atingidas por um raio quando assistiam a um funeral no leste da China, informou hoje a agência oficial de notícias "Xinhua".
O acidente aconteceu nesta sexta-feira, na localidade de Duanzhuang, na província de Jiangsu. Uma cabana onde 200 pessoas assistiam ao funeral de um parente foi atingida por um raio. Três pessoas morreram na hora e duas mais tarde, no hospital.Outros 16 feridos ainda estão sob cuidados médicos, mas não correm risco de vida, segundo a agência.
Os acidentes causados por raios são uma das principais causas de mortes por desastres naturais na China. Só em julho foram 141 mortos.
fonte - http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2007/08/11/raio_mata_tres_criancas_e_dois_adultos_em_funeral_na_china_960199.html
sexta-feira, agosto 03, 2007
justiça!
SENTENÇA INUSITADA DE UM JUIZ, POETA E REALISTA
Esta aconteceu em Minas Gerais (Carmo da Cachoeira).
O juiz Ronaldo Tovani, 31 anos, substituto da comarca de Varginha,ex-promotor de justiça, concedeu liberdade provisória a um sujeito preso em flagrante por ter furtado duas galinhas e ter perguntado ao delegado: "Desde quando furto é crime neste Brasil de bandidos?"
O magistrado lavrou então sua sentença em versos:
Do ano ainda fluente
Em Carmo da Cachoeira
Terra de boa gente
Ocorreu um fato inédito
Que me deixou descontente.
O jovem Alceu da Costa
Conhecido por "Rolinha"
Aproveitando a madrugada
Resolveu sair da linha
Subtraindo de outrem
Duas saborosas galinhas.
Apanhando um saco plástico
Que ali mesmo encontrou
O agente muito esperto
Escondeu o que furtou
Deixando o local do crime
Da maneira como entrou.
O senhor Gabriel Osório
Homem de muito tato
Notando que havia sido
A vítima do grave ato
Procurou a autoridade
Para relatar-lhe o fato.
Ante a notícia do crime
A polícia diligente
Tomou as dores de Osório
E formou seu contingente
Um cabo e dois soldados
E quem sabe até um tenente.
Assim é que o aparato
Da Polícia Militar
Atendendo a ordem expressa
Do Delegado titular
Não pensou em outra coisa
Senão em capturar.
E depois de algum trabalho
O larápio foi encontrado
Num bar foi capturado
Não esboçou reação
Sendo conduzido então
À frente do Delegado.
Perguntado pelo furto
Que havia cometido
Respondeu Alceu da Costa
Bastante extrovertido
Desde quando furto é crime
Neste Brasil de bandidos?
Ante tão forte argumento
Calou-se o delegado
Mas por dever do seu cargo
O flagrante foi lavrado
Recolhendo à cadeia
Aquele pobre coitado.
E hoje passado um mês
De ocorrida a prisão
Chega-me às mãos o inquérito
Que me parte o coração
Solto ou deixo preso
Esse mísero ladrão?
Soltá-lo é decisão
Que a nossa lei refuta
Pois todos sabem que a lei
É prá pobre, preto e puta...
Por isso peço a Deus
Que norteie minha conduta.
É muito justa a lição
Do pai destas Alterosas.
Não deve ficar na prisão
Quem furtou duas penosas,
Se lá também não estão presos
Pessoas bem mais charmosas.
Afinal não é tão grave
Aquilo que Alceu fez
Pois nunca foi do governo
Nem seqüestrou o Martinez
E muito menos do gás
Participou alguma vez.
Desta forma é que concedo
A esse homem da simplória
Com base no CPP
Liberdade provisória
Para que volte para casa
E passe a viver na glória.
Se virar homem honesto
E sair dessa sua trilha
Permaneça em Cachoeira
Ao lado de sua família
Devendo, se ao contrário,
Mudar-se para Brasília
Esta aconteceu em Minas Gerais (Carmo da Cachoeira).
O juiz Ronaldo Tovani, 31 anos, substituto da comarca de Varginha,ex-promotor de justiça, concedeu liberdade provisória a um sujeito preso em flagrante por ter furtado duas galinhas e ter perguntado ao delegado: "Desde quando furto é crime neste Brasil de bandidos?"
O magistrado lavrou então sua sentença em versos:
Do ano ainda fluente
Em Carmo da Cachoeira
Terra de boa gente
Ocorreu um fato inédito
Que me deixou descontente.
O jovem Alceu da Costa
Conhecido por "Rolinha"
Aproveitando a madrugada
Resolveu sair da linha
Subtraindo de outrem
Duas saborosas galinhas.
Apanhando um saco plástico
Que ali mesmo encontrou
O agente muito esperto
Escondeu o que furtou
Deixando o local do crime
Da maneira como entrou.
O senhor Gabriel Osório
Homem de muito tato
Notando que havia sido
A vítima do grave ato
Procurou a autoridade
Para relatar-lhe o fato.
Ante a notícia do crime
A polícia diligente
Tomou as dores de Osório
E formou seu contingente
Um cabo e dois soldados
E quem sabe até um tenente.
Assim é que o aparato
Da Polícia Militar
Atendendo a ordem expressa
Do Delegado titular
Não pensou em outra coisa
Senão em capturar.
E depois de algum trabalho
O larápio foi encontrado
Num bar foi capturado
Não esboçou reação
Sendo conduzido então
À frente do Delegado.
Perguntado pelo furto
Que havia cometido
Respondeu Alceu da Costa
Bastante extrovertido
Desde quando furto é crime
Neste Brasil de bandidos?
Ante tão forte argumento
Calou-se o delegado
Mas por dever do seu cargo
O flagrante foi lavrado
Recolhendo à cadeia
Aquele pobre coitado.
E hoje passado um mês
De ocorrida a prisão
Chega-me às mãos o inquérito
Que me parte o coração
Solto ou deixo preso
Esse mísero ladrão?
Soltá-lo é decisão
Que a nossa lei refuta
Pois todos sabem que a lei
É prá pobre, preto e puta...
Por isso peço a Deus
Que norteie minha conduta.
É muito justa a lição
Do pai destas Alterosas.
Não deve ficar na prisão
Quem furtou duas penosas,
Se lá também não estão presos
Pessoas bem mais charmosas.
Afinal não é tão grave
Aquilo que Alceu fez
Pois nunca foi do governo
Nem seqüestrou o Martinez
E muito menos do gás
Participou alguma vez.
Desta forma é que concedo
A esse homem da simplória
Com base no CPP
Liberdade provisória
Para que volte para casa
E passe a viver na glória.
Se virar homem honesto
E sair dessa sua trilha
Permaneça em Cachoeira
Ao lado de sua família
Devendo, se ao contrário,
Mudar-se para Brasília
quarta-feira, agosto 01, 2007
esse é o cara!
Um médico sincero foi questionado sobre vários conselhos que sempre nos são dados...
Pergunta: Exercícios cardiovasculares prolongam a vida, é verdade?
Resposta: O seu coração foi feito para bater por uma quantidade de vezes e só... não desperdice essas batidas em exercícios. Tudo gasta-se. Acelerar seu coração não vai fazer você viver mais: isso é como dizer que você pode prolongar a vida do seu carro dirigindo mais depressa. Quer viver mais? Tire uma soneca !!!
P: Devo cortar a carne vermelha e comer mais frutas e vegetais?
R: Você precisa entender a logística da eficiência....O que a vaca come?Feno e milho. O que é isso? Vegetal. Então um bife nada mais é do que um mecanismo eficiente de colocar vegetais no seu sistema. Precisa de grãos?Coma frango.A carne de porco pode fornecer 100% da sua cota diária recomendada de vegetais.
P: Devo reduzir o consumo de álcool?
R: De jeito nenhum. Vinho é feito de fruta. Brandy é um vinho destilado, que significa que, eles tiram a água da fruta de modo que vc tire maior proveito dela. Cerveja também é feita de grãos. Pode entornar!
P: Quais são as vantagens de um programa regular de exercícios?
R: Minha filosofia é: Se não tem dor...tá bom!
P: Frituras são \n prejudiciais?
R: VOCÊ NÃO ESTÁ ME ESCUTANDO!!!!... Hoje em dia a comida é frita em óleo vegetal. Na verdade ficam impregnadas de óleo vegetal. Como pode mais vegetal ser prejudicial para você?
P: Flexões ajudam a reduzir a gordurinha dos quadris?
R: Absolutamente não! Exercitar um músculo faz com que ele aumente de tamanho.
P: Chocolate faz mal?
R: Tá maluca? HELLOUUU!!!! Cacau!!!! Outro vegetal!!É a melhor comidinha de ficar feliz que tem!!!
E lembre-se: A vida não deve ser uma viagem para o túmulo, com a intenção de chegar lá são e salvo, com um corpo atraente e bem preservado.
Melhor enfiar o pé na jaca - Chardonnay em uma mão - chocolate na outra - um corpo completamente gasto, totalmente usado, gritando: UAU !!! QUE VIAGEM!!!!!!!!!!!!!!
Pergunta: Exercícios cardiovasculares prolongam a vida, é verdade?
Resposta: O seu coração foi feito para bater por uma quantidade de vezes e só... não desperdice essas batidas em exercícios. Tudo gasta-se. Acelerar seu coração não vai fazer você viver mais: isso é como dizer que você pode prolongar a vida do seu carro dirigindo mais depressa. Quer viver mais? Tire uma soneca !!!
P: Devo cortar a carne vermelha e comer mais frutas e vegetais?
R: Você precisa entender a logística da eficiência....O que a vaca come?Feno e milho. O que é isso? Vegetal. Então um bife nada mais é do que um mecanismo eficiente de colocar vegetais no seu sistema. Precisa de grãos?Coma frango.A carne de porco pode fornecer 100% da sua cota diária recomendada de vegetais.
P: Devo reduzir o consumo de álcool?
R: De jeito nenhum. Vinho é feito de fruta. Brandy é um vinho destilado, que significa que, eles tiram a água da fruta de modo que vc tire maior proveito dela. Cerveja também é feita de grãos. Pode entornar!
P: Quais são as vantagens de um programa regular de exercícios?
R: Minha filosofia é: Se não tem dor...tá bom!
P: Frituras são \n prejudiciais?
R: VOCÊ NÃO ESTÁ ME ESCUTANDO!!!!... Hoje em dia a comida é frita em óleo vegetal. Na verdade ficam impregnadas de óleo vegetal. Como pode mais vegetal ser prejudicial para você?
P: Flexões ajudam a reduzir a gordurinha dos quadris?
R: Absolutamente não! Exercitar um músculo faz com que ele aumente de tamanho.
P: Chocolate faz mal?
R: Tá maluca? HELLOUUU!!!! Cacau!!!! Outro vegetal!!É a melhor comidinha de ficar feliz que tem!!!
E lembre-se: A vida não deve ser uma viagem para o túmulo, com a intenção de chegar lá são e salvo, com um corpo atraente e bem preservado.
Melhor enfiar o pé na jaca - Chardonnay em uma mão - chocolate na outra - um corpo completamente gasto, totalmente usado, gritando: UAU !!! QUE VIAGEM!!!!!!!!!!!!!!
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