O corte de Ricardinho dias antes da estréia da seleção brasileira no torneio masculino de vôlei dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro abalou o grupo comandado por Bernardinho. Embora muitos tenham evitado qualquer comentário sobre a ainda inexplicável saída do jogador, alguns falaram à imprensa e foram solidários ao companheiro.
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O ponta Giba, que herdou a vaga de capitão da equipe, saiu do treino deste domingo cabisbaixo e não quis dar entrevistas. Já Gustavo e Serginho, os únicos que atenderam aos jornalistas, revelaram que foram solidários a Ricardinho e até o visitaram no quarto antes que deixasse a concentração. “É o mínimo que a gente podia fazer. Ele foi pego de surpresa, assim como nós”, revelou, em poucas palavras, o meio-de-rede Gustavo.
O líbero Serginho, por sua vez, reforçou que o grupo não sabia da decisão e que teriam tentado evitar, caso soubessem antes. “Fosse com ele ou com qualquer outro, a gente teria tentado falar com o Bernardinho. Quem não quer ter o Ricardo no time? Ele é o melhor do mundo. Mas a decisão nos pegou de surpresa e veio do técnico. Temos que acatar”, sintetizou.
Já o treinador Bernardinho voltou a justificar o corte de Ricardinho. Porém, sem dar muitos detalhes. “Minha consciência está tranqüila, apesar de ser um momento de intranqüilidade. Isso gerou um desconforto no grupo, que está sentido. Mas a decisão não tem nada a ver com o meu filho. Precisava dar um basta em algumas coisas. Foi um acúmulo”, explicou o técnico, respondendo às críticas de que Bruninho teria sido convocado por ser seu filho.
“Não foi um fato isolado ou uma reivindicação dele que me fez tomar essa atitude. O que quero agora é que o Ricardo reflita e volte mais amadurecido”, completou Bernardinho, ainda misterioso com relação ao que teria provocado o corte do jogador às vésperas do início da competição – primeiro jogo será no dia 23, segunda-feira, contra o Canadá. Além disso, o comandante ainda afirmou que esta foi a última vez em que tocou no assunto.
23 comentários:
Torço muito pelo Brasil, mas essa decisão apenas confirma, para mim, a sensação de que Bernardo não bate muito bem, não.
Como técnico, ele tem todo direito de cortar ou chamar o jogador que quiser. Afinal, ele acaba tendo de responder pelas decisões e deve ter a liberdade de tomá-las. Agora, faltou hombridade, faltou lealdade e, acima de tudo, faltou caráter nesse corte. Foi tudo feito pelas costas.
Para além desse ponto lamentável, questiono a sabedoria desta decisão em particular. Ricardinho acaba de ser eleito o melhor do mundo, e com razão. O cara é fera. Adoraria vê-lo jogando em casa, conquistando um ouro que faltará em sua história.
O que me entristece é que se o Brasil ganhar (como eu quero que aconteça), Bernardo se safa como 'o técnico que sabia o que estava fazendo quando tomou uma decisão incompreendida por todos'.
Desde já, digo que não é isso. Bernardo demonstrou uma falta de caráter indesculpável, ganhando ou não o ouro.
Ainda que existam os problemas a que o Bernardo se refere - e ainda que eles sejam 'culpa' do Ricardinho - ponto para o levantador, porque nunca deixou que transpirassem para dentro das quadras e sempre jogou com profissionalismo, talento e garra. Tanto, que foi eleito o melhor jogador da última Liga Mundial. Se há problemas pessoais entre eles, mas o jogador naõ deixa que isso interfira em seu trabalho, o técnico não estaria abusando de seu poder, ainda que seja prerrogativa dele?
E Fernanda Venturini entra na polêmica:
http://www.terra.com.br/esportes/pan07/blog/pan07_fernandaventurini/index.htm
Por último, se Fernanda está falando a verdade e Ricardinho é o 'vilão' da história, então, todo o time é hipócrita, já que os jogadores se disseram surpresos e tristes com a decisão. Menos o Giba. O Giba não abre a boca.
Não acho correto julgar o Bernardo por nepotismo sem levar em conta o retrospecto dele como treinador não apenas da seleção masculina, mas também da feminina. Certamente existem motivos que não estão na mídia, talvez até para preservar o Ricardinho. Vale lembrar que o nosso levantador, genial e fantástico, tem um ego inflado e não poucas vezes discutiu severamente com seus companheiros - lembrem das Olimpíadas de Atenas quando ele e Serginho quase chegaram às vias de fato. Alguma coisa deve ter acontecido pois não consigo deixar de dar crédito tanto ao Bernardo quanto ao Bruno, que foi considerado o melhor levantador em atividade no Brasil. Aliás, o Bruno não está herdando a vaga do Ricardinho - o levantador titular será o Marcelinho. Acho precipitado o julgamento. O próprio Ricardinho, que é explosivo, aceitou o corte de maneira calma, apesar de triste. O próprio Ricardinho disse que espera ser convocado em outras ocasiões e o Bernardo não negou que isso possa acontecer. Do que conheço do trabalho do Bernardo, respeito e concordo com a idéia de que nenhum jogador, por melhor que seja, pode ser maior que o grupo. Dizer que falta caráter ao cara assim, sem nenhum fundamento, apenas porque o Ricardinho é sensacional? Corte não é feito na mídia nem publicado em ofícios - é decisão solitária que deve ser assumida pelo treinador. Não vejo essa coisa de ter sido feito "pelas costas". Nenhum treinador é obrigado a divulgar seus critérios de escalação e convocação.
Um sujeito que disputou 22 campeonatos e ganhou 18 merece algum crédito. Jogar fora sete anos de um trabalho excepcional assim, desmerecer um profissional dessa maneira, não sei não.
Torço para que o Brasil leve o ouro e para que seja dado ao Bruno o crédito pelo profissional que é, independente de quem seja filho (onde estavam todos para criticar o Nelson Rubens quando nos fez perder a vaga para as Olimpíadas insistindo na escalação do filho dele, aquele sim um protegido incompetente). Torço para que o Ricardinho, o Bernardo e o grupo possam refletir a respeito do ocorrido e torço para que o melhor levantador do mundo possa voltar a jogar pela seleção. Ricardinho tem 31 anos, o levantador da Rússia, contra quem jogamos a final da Liga tem 36. Ricardinho ainda pode jogar duas Olimpíadas e um Pan.
E o nosso técnico é um mar de tranquilidade... Sei. : )
Esses mesmos companheiros são os primeiros a se mostrarem surpresos e 'tristes' com o acontecido. Como eu disse, das duas, uma: ou o que o Bernardo (e a Fernanda) fala é balela, ou o time é hipócrita.
De qualquer forma, não acuso o Bernardo de nepotismo. Acuso de falta de hombridade mesmo.
Eu só espero que o time continue dando show de bola nas quadras. Eu amo o volei e o time masculino sempre me encantou, pela garra, o talento individual e coletivo. Não quero julgar ninguém e espero que tudo, de fato, seja um conflito onde nepotismo não esteja envolvido. VAi ser muito triste observar este ranço, também, no esporte.
Essa seleção é muito boa mesmo. Quase perfeita. E vem se mantendo assim há tempos. O levantador titular será o Marcelinho, que já está na seleção há algum tempo. Mas como eu não me lembro de tê-lo visto jogar, não sei como ele distribui as bolas para os opostos, não sei se ele é habilidoso. Deve ser, senão não teria sido convocado.
Se o Brasil segurar o nervosismo na estréia, e se os tais problemas não chegarem na quadra (e não chegaram na Liga Mundial, com o Ricardinho...), temos ótimas chances de ouro.
De modo algum o Bernardo é tranqüilo - mas ele é o técnico, o manda-chuva, o dono da bola, o chefe da turminha, o rei da rua - o cara que há sete anos pegou esta seleção e tem 90% de aproveitamento nos jogos disputados (e não foram poucos). O mesmo Bernardo que sofreu severas críticas ao aposentar o Maurício, até então o maior levantador de todos os tempos, e efetivar este mesmo Ricardinho na rede da seleção. Esporte não é democracia - se fosse, Cuba não estaria em segundo no quadro de medalhas - ou é democrático ter que escolher entre viver na miséria ou lutar boxe para ter uma condição de vida menos pior?
Não vejo as coisas tão a ferro e fogo e ainda penso ser mais coerente esperar o clima acalmar para pensar em "julgamentos". Sigo pensando que não tem essa de discutir o corte com o grupo, muito menos com o atleta. O técnico é o responsável, a decisão é dele e os atletas acatam. Onde já se viu aviso-prévio em esporte? Ser cortado é sempre uma surpresa desagradável, sempre foi e sempre vai ser. Quem não estiver satisfeito pega a mochila e vai embora - e talvez aí seja o caso de se falar em hombridade. O silêncio do Giba diz muito para mim, assim como a tranqüilidade do Dante ao dizer que vai ser fácil se acostumar com o Marcelinho na rede.
Que venha o Canadá!
Você tem razão sobre ser melhor adiar julgamentos, Fernando. Concordo mesmo.
Mas uma coisa eu tenho bem clara para mim. Uma coisa é o cara ser um ótimo técnico, alguém que tem objetivos claros e que percorre os caminhos que tem de percorrer para atingi-los. Outra é ter hombridade, lealdade. Qualquer que sejam os motivos que ele tenha - reais, imaginários, exagerados ou exatos - ele podia ter feito a coisa diferente.
Não consigo tirar da cabeça a imagem do Ricardinho comemorando, chorando mesmo, com toda a equipe a vitória na Liga Mundial e sua escolha como o melhor do torneio. Uma imagem muito bonita de se ver. Do time inteiro. Se há problemas, certamente não interferiram no trabalho do time. Isso foi visível. E todos amigos.
O corte, do jeito que foi, não sei, não me desce. Mesmo. Podem ganhar o ouro, mas o Bernardo não me desce. Sei que me mostro contraditória, porque disse concordar contigo em que é melhor adiar julgamentos, mas não posso ser hipócrita. Dessa vez, estou julgando. E digo como o Bernardo: se estiver errada, admito no futuro. : )
legal mesmo foi ouvir a barriga da Grobo.
No sabado à noite durante a transmissão volley de praia feminino eles anunciaram que o corte tinha sido a pedido do Ricardinho, por stress; para serem desmentidos domingo de manhã em todos os noticiários. Isso que se chama jornalismo sério - dar a notícia sem ouvir ambos os lados.
Isso parece ser de praxe, César.
Mas, para ser justa, não me lembro das primeiras notícias (de tanto que já li e vi a respeito...), para saber se eles afirmaram ter sido a pedido do levantador ou se fizeram a ressalva "segundo a equipe técnica..."
Hoje é dia de estréia. Não queria ser o Ricardinho hoje, não.
p.s.: Do blog da Jacqueline (a antiga...), que é mais prudente do que eu:
http://oglobo.globo.com/blogs/jackie/
O que houve com Bernardinho e Ricardinho?
O que está acontecendo com o Ricardinho e Bernadinho? Eu tenho as minhas opiniões a respeito, mas como até agora eu não estou conseguindo entender o que esta acontecendo, prefiro aguardar mais um pouco. Mas deixo aqui algumas perguntas que precisam de respostas:
Por que o melhor jogador da Liga Mundial foi cortado sem ser avisado?
Que coisa tão ruim que Ricardinho fez para merecer isso?
Que tipo de punição é essa, e pra que serve?
O que Bernardo quer corrigir em Ricardo ?
O resto do time está de acordo?
Vou aguardar, pra poder falar com mais segurança.
Bernardinho é o melhor tecnico de volley do mundo e ricardinho é o melhor levantador do mundo... exatamente por isso, deveriam tomar todo o cuidado do mundo nessa hora. Mesmo sendo o filho do tecnico o terceiro melhjor levantador do Brasil, foi no minimo "politicamente incorreta" a decisao de coloca-lo agora no time. Se o time ganha ele se safa, se perde, sepultam uma carreira que poderia ser longa e vitoriosa. Os demais jogadores, solidarios ao colega cortado, podem de alguma forma "sabotar" o novato... ou mesmo o técnico... e no nível do volley brasileiro, medalha de prata pode ser considerado CATASTROFE, e aí?
Mas as ultimas versoes falam de briga por GRANA... que é o que move o mundo...
Bom, o Bernardinho como técnico tem autoridade para convocar e escalar o time que bem entender. Ele pode até colocar eu prá jogar. Desde que o time vença, está tudo bem. E mesmo que não vença, faz uma opção que lhe cabe.
O episódio me lembrou o corte de Renato Gaúcho e Leandro na copa de 86. A grande diferença, a meu ver, entre as duas situações, não está na causa dos afastamentos (indisciplina no caso de Renato e Leandro, que pularam o muro da concentração para ir prá farra), mas sim na postura do técnico: "estou cortando, porque pelos meus critérios isso é necessário, e anuncio o fato, juntamente com as razões, que são as minhas".
O que eu não gostei, e acho que o que ninguém tá aceitando muito bem é a forma como Bernardinho fez as coisas. No meu tempo, chamariam isso de "molecagem": fazer o capitão do time se apresentar e dar com as portas na cara, alegar que ele estava cansado (ironia por ter reclamado do excesso de treinos ? mas ele fala em nome da equipe...) . E o motivo, bem, fica aberto à especulação. Me aventuro então a supor que Ricardinho fez algo de muito podre. Tanto que não é apropriado divulgar o fato. Talvez ele tenha comido a mulher de outro jogador. Ou é possível que esteja envolvido num desses esquemas fraudulentos e corruptos do governo. Por isso, haveria de ser tratado dessa maneira. Em todo caso, talvez mais tarde, em sua biografia oficial, Bernardinho nos brinde com os detalhes mais picantes da situação, e então, poderemos nós, réles mortais, compreender ou apurar os fatos.
Enquanto isso, é aplaudir as vitórias e ouvir os comentários globais, subtender que está certa essa moral asiática que o Bernardinho assimilou quando era jogador (um técnico coreano, se não me engano, iniciou a escalada do volei no Brasil, e era conhecido por seus métodos inflexíveis, pelo rigor que exigia da equipe e personalidade ditatorial). Mas funciona, né ? Então, tá vendo ? Bota o cara logo prá presidente prá ver como a gente sai do buraco rapidinho. Ou vocês preferiam o Ramadés Latari ? Com a vantagem adicional de que teríamos a Venturini como primeira dama.
Mas o Ricardinho não chega perto !
Menino com a cabeça nas estrelas, você por aqui?
Pois é, 'molecagem' é bondade sua. Óbvio que não faço idéia do(s) problema(s) existente(s) na seleção, então, só posso mesmo falar por indícios. Até agora, nenhum indício contra o Ricardo. Mas há esse contra o Bernardo.
Quanto aos detalhes, prefiro ler no livro que o próprio Ricardo vem preparando já há algum tempo (de que a passagem pelo Pan seria um dos últimos capítulos...) a ler algo escrito pelo Sr. FernandaVenturini. Não à toa, a figura recebeu, há tempos já, a alcunha de 'Karpolzinho'.
Aplaudo a vitória do time, ouço os comentários sportevísticos, mas não caio nessa de moral asiática, não... O que dá certo é a competência, e isso é inegável que ele tem. O Putin também é bem competente; nem por isso... Há muita gente competente por aí que fica em falta em outros quesitos...
É hoje, às 22:00! : )
Poucos levantadores no mundo têm a habilidade do Ricardinho que, de dois anos para cá, evoluiu muito. Aumentou de forma espantosa, com precisão e ousadia, a velocidade do time. Hoje veremos o que digo aqui, um volleyball mais "burocrático". Eficiente, sim, mais pelo talento dos atacantes do que dos levantadores. Marcelinho, cumprirá o seu papel de eterno reserva e tapará esse buraco. Bruninho, no auge da sua inexperiência, tentará se superar, mas lhe faltarão as horas rodadas e maturidade suficientes para decisões. O que me deixa triste é que uma geração de ótimos levantadores, substitutos naturais de Ricardinho e Marcelinho, foi deixada de lado, esquecida mesmo, para dar lugar a jogadores recém saídos das categorias de base. A convocação do Bruno (nepotismo? hummm...), foi a pá de cal na esperança de muitos que viram no aeroporto a única saída. Já fui jogador, e sei que no meio desse angu, o que não falta é caroço.
Bom, tenho uma pergunta. O Brasil acaba de ganhar: 3 sets a 0. Jogo bom. Agora minha pergunta: que diabo é aquele esparadrapo no nariz dos jogadores e para que serve aquilo? Por favor, quem souber me fale. Estou muito curiosa.
Moniquinha, aquilo ali faz uma leve pressão no nariz em um ponto que, sabe lá por que cargas d'água, a ventilação melhora - e o pior é que funciona.
Que venha Cuba!
É mesmo? Quer dizer que se apertar a pessoa respira melhor? Intrigante, não é?
O dilatador nasal vem sendo usado já há tempos, mas o mais curioso neste Pan são duas coisas: a quantidade de atletas que usam e a variedade de modalidades em são usados e a notícia de que pelo menos o da Larissa, do vôlei de quadra, é resultado de contrato com o fabricante: para cada foto em que ela aparece usando o trequinho misterioso, um barulhinho na máquina registradora.
Como diria um sábio prematuramente esquecido pelo povo da audiência, é (quase) tudo marchan (e eu sei lá como esse sábio grafava a palavra...).
Juca Kfouri, no blog, no texto 'Um Corte Previsto':
http://blogdojuca.blog.uol.com.br/
eu vi um time triste em quadra!
eu ouvi vaia quando o primeiro filho pegou na bola!
Metade vaia, metade aplauso. E depois, todos gritaram "Bruno, Bruno!". A história não está bem contada, e isso é ruim. Ao mesmo tempo, o momento de dar detalhes não é agora, no início da competição e da possibilidade do único título que falta a esse time. Penso que essa história deva ser melhor contada depois do Pan. Só admito que ela não venha a ser totalmente revelada se o Ricardinho voltar à seleção e o fato seja dado como encerrado pelas partes. Mesmo assim, continuarei curioso...
E Lu, li a nota lá no blog do Juca. Se complementa com um dos comentários feitos por alguém lá no blog da Fernanda Venturini (não o que ela mesma diz, porque não disse nada...). Ao que parece, o Ricardinho anda mesmo pisando na bola, alguns tons acima do resto do time...
tive uma leitura pouco diferente Doc: uma claque puxou o "bruno...bruno" e não foi acompanhada pela maioria. O fato é que ele não voltou à quadra.
O Sergio, como ex-jogador de volley escreveu uma coisa importante - uma geração de ótimos levantadores, substitutos naturais de Ricardinho e Marcelinho, foi deixada de lado, esquecida mesmo, para dar lugar a jogadores recém saídos das categorias de base - acho que ele esta se referindo, inclusive, a um garoto de Resende que foi titular na seleção juvenil campeã mundial, se não me engano, na Malasia.
Então, o time é levemente hipócrita (e quem não é?), porque se disseram surpresos, tristes e afirmaram que planejam homenagear o Ricardo se conseguirem o ouro.
Sobre o jogo de ontem, certo, não jogaram bem, mas é de praxe nenhuma seleção jogar muito bem quando enfrenta uma equipe tão ruinzinha quanto a do Canadá. Não jogaram bem até porque o jogo era fácil demais. Mas já vi jogos piores (alguém lembra daquela derrota absurda para a seleção dos EUA, que muitos consideraram 'entrega' para pegar um adversário mais fraco na semi-final?).
O que me espantou mesmo foi - ele, sempre ele! - o Bernardo dizer em entrevista que as vaias indicavam que 'eles' não eram a unanimidade que queriam fazer crer. 'Eles' quem, cara pálida? Os jogadores, percebo, continuam a ser unanimidade, porque são maravilhosos em quadra. Quem está sendo questionado por (grande!) parte da torcida é o técnico, não em sua competência, obviamente, mas em outras características que não se restringem ao seu serviço e que são cada vez menos valorizadas por aí. Não preciso nomeá-las mais uma vez.
Se há problemas com um jogador fora de quadra e é absolutamente impecável dentro dela, já mostra algum profissionalismo. E se o técnico não encontra outra saída para esse jogador além de cortá-lo, há algumas opções: ou não é tão bom técnico assim; ou é, mas não está nem aí para o panamericano, sabe que o time é ótimo, que os adversários são fracos e que pode deixar o jogador - um mero mecanismo - para ser usado lá na frente (Olimpíadas, 2008), se não aparecer ninguém melhor para fazê-lo. Ou uma combinação onde uma e outra participam, em algum grau. O grande problema, na verdade, foi a forma com que tudo foi feito. E um péssimo timing para a torcida, que gostaria de ver seu time, completo, em quadra.
Sobre as vaias ao Bruno, houve muitas, sim. E espontâneas. Sinto pena do rapaz, mas ele paga pela decisão - esta, sim, absurda - de colocá-lo para jogar logo ao fimdo primeiro tempo, com a seleção já no setpoint. Péssima hora. Péssima, péssima hora.
Serão hipócritas os jogadores que hoje, sorridentes e vibrantes, não tomaram conhecimento da seleção de Cuba? Será moleque o treinador mais vitorioso do volleyball mundial que hoje, como em tantas outras vezes, soube mostrar seu valor nos detalhes? Será impressão minha ou jogadores que pouco eram acionados e nem sempre pareciam à vontade com a gritaria do levantador ausente tiveram uma participação decisiva esta noite? Será, por fim, que Ricardinho não se tornou um clone do Dunga na copa de 1998 - que pensava ser o líder do grupo quando na verdade já não falava por sequer metade dos jogadores?
Sigo sem entender essa questão. O cara é o treinador, ele manda, ele é o chefe. Eu, na condição de torcedor, bato palma. Não conheço os bastidores do vôlei para saber se perdemos grandes levantadores, opostos ou líberos. Só sei que, mesmo sem eles, ganhamos 18 em 22 títulos nos últimos sete anos. Penso que, se o sujeito desafiou a hierarquia (e é o que parece ter ocorrido), tem mais é que ser cortado, do contrário vira bagunça.
Também não entendi ainda se existe um manual prático do tipo "Como cortar um jogador". Manda o cara se apresentar, conversa com ele e corta - é moleque. Corta por telefone - é insensível. Corta pela imprensa - é covarde. Faz como? Manda um aviso-prévio?
Que venha o México!
Eu vou na cola do Nando: JOGAÇOOOOOOO contra Cuba!!! Os meninos do volei são, ainda, o que resta de bom no país. Dá prazer de assistir!
Não discuto Bernardinho. Pode ter pisado na bola, ou não. Só sei que o cara comanda o melhor time de volei que já vi na vida. Isto é muuuuito.
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