segunda-feira, janeiro 18, 2010

discurso do embaixador mexicano

Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia.

 

· A Conferência dos Chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irónico, cáustico e historicamente exacto.

· Eis o discurso:


· "Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500... O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros. Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.

· Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento! 

· Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão. 

· Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.

· Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indenização por perdas e danos. 

· Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva. 

· Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização. 
· Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?

· Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo. 

· No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

· Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo. 
 
· Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluimos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra. 
 
· Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue? 
 
· Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas. 
 
· Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação da dívida histórica..."



(enviado por meu amigo garoto)

32 comentários:

Sonia SantAnna disse...

Dá-lhe, embaixador.

Anna Maria Littledale disse...

De pé ,Aplaudo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Sandra Miranda disse...

Bom demais saber que tem gente que ainda não desistiu de falar o óbvio... Bom demaisss!

S. Mazzillo disse...

Bravo esse embaixador!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Adriana Vianna disse...

Estou comovida, não nego.

Adriana Vianna disse...

Sinceramente, queria que o discurso tivesse sido do embaixador do Brasil. : (

André Faustino disse...

Excelente! Assim que se fala.

Sonia SantAnna disse...

Pensei bem e voltei para dar um palpite. Só espero que não me apedrejem
Um povo explorar o outro faz parte da natureza humana. Seria a hora de no México as etnias exploradas pelos tambem mexicanos aztecas exigirem reparação? E os povos primitivos que certamente lá habitavam - e que já nem podem reclamar porque foram extintos - e foram expulsos por aztecas, zoltecas e tantas ecas?
E que moral teriam os brasileiros que exploraram indígenas e africanos para reclamar de exploração?
E se formos mais atrás na História, era africano contra africano, uma tribo contra a outra. E os nossos indígenas também viviam a guerrear uns aos outros.
Quem lê a história de um povo sempre encontra no primeiro capítulo a história do povo que o precedeu e foi expulso.

Adriana Vianna disse...

Ai ai Sonia. Você é demais!
O que você quer dizer é: isso não terá fim nunca porque é da natureza do homem brigar por hierarquias e territórios.
Continuo comovida, contudo.

Sonia SantAnna disse...

Só quando a espécie humana se extinguir.

Adriana Vianna disse...

A realidade dói.

Adriana Vianna disse...

O primeiro livro de histórias que li foi a Bíblia. Nunca vi tantas guerras como ali.
Você tem razão. É difícil pensar que nunca mudará. Mas, talvez, com o conhecimento do passado haja como evitar que ações se repitam?

cesar cunha disse...

puxa, Baronesa, falei com meu primo Kanuac Malutepec e ele ficou magoado, disse que nunca matou um zolteca.

Sonia SantAnna disse...

Minhas sinceras desculpas ao ilustre senhor (rs).

Adriana Vianna disse...

Sonia, e os indígenas e africanos exploraram alguém?
Os índios brasileiros exploraram? Ou eles podem reclamar?

Adriana Vianna disse...

Estou comovida.

cesar cunha disse...

todos exploraram. Quem vendia os negros aos traficantes eram os próprios africanos e os índios, quando em guerra com outra tribo, roubavam tudo que encontravam, inclusive as mulheres.

Sonia SantAnna disse...

Traficantes europeus não saíam à caça de escravos, que lhes eram vendidos pelos chefes tribais. Entre os vendidos, os condenados por dívidas e outros delitos que a cultura local punia com a escravidão; a maioria, entretanto, era presa de guerra, trocada por mercadorias, como tecidos, armas, aguardente e ferramentas. Intermediários percorriam a savana arregimentando cativos, levados à costa, onde, em depósitos, aguardavam transporte para as Américas. Sobre a África o efeito perverso desse comércio, que durou cerca de 350 anos, foi o acirramento das inimizades entre tribos de etnias diversas e o fortalecimento dos senhores da guerra, que estão na raiz de muitos dos atuais problemas do continente africano, e o despovoamento de vastas áreas do mesmo. Em "Barões e escravos do café - a vida privada do Vale do Paraíba".
Pode ler também "Em costas negras", do historiador negro (portanto insuspeito) Manolo Florentino.
Ou "O trato dos viventes", de Luiz Felipe Alencastro.

Sonia SantAnna disse...

Depois procuro algum documento para citar. Mas os portugueses sempre se utilizaram do serviço de índios que os ajudavam na captura de outros índios, de tribos inimigas. Geralmente todo conquistador se aproveita dessas inimizades internas para atingir seus propósitos.
Antônio Pires de Campos, algoz dos caiapó, tinha como colaboradores os bororo, que lhe deram o apelido de "Pai Pirá".

Anna Maria Littledale disse...

Cesar,,eu adoraria ter esse texto mandado para meu email....nao consegui copia-lo!
Quanto ao resto,a historia é sempre escrita pelos vencedores...vejam o caso da nossa guerra contra o Paraguai! Para mim é uma mancha na nossa HISTORIA...
beijos para vcc e vou brincar no facebook..la só aperto botões e me descanso

x moon disse...

Isso é uma lenda.

http://www.quatrocantos.com/LENDAS/110_guaicaipuro_cuatemoc.htm

Isso acontece sempre. Tem muita ficção que se torna realidade na internet. Neste caso, porém, isso não afeta nada - em outros casos, pode ser que cause dano. A argumentação em essência é IMPECÁVEL, perfeita mesmo. Com pouco ajustes estilísticos (não de fatos em si, pois creio que todos ali são verdadeiros ou bem perto disso) ficaria belíssima. Se a gente cobrasse - absurdamente - sem nenhum juro, ainda ia ser engraçado ver a cara deles!!!

cesar cunha disse...

vou mandar, Anna.

S. Mazzillo disse...

Cesar, manda pra mim tb.. Náo consegui selecionar tudo, copiar e colar.. Vai entender????
scyllamazzillo@terra.com.br
Beijoss e obrigada

S. Mazzillo disse...

Depois apaga meu reply please!!!!
Beijosss

Sonia SantAnna disse...

Então é mais um hoax da Internet. Desta vez nem me passou pela cabeça consultar o quatrocantos - o que faço quase sempre com tudo quanto é aviso que me chega por email.

x moon disse...

Mas nesse caso foi legal, o texto é perfeito, argumentação excelente.

Anna Maria Littledale disse...

Obrigada amigo ..recebido!
Bjs

Sonia SantAnna disse...

Pois eu discordei.

cesar cunha disse...

já foi.

Adriana Vianna disse...

Obrigada pelo link. Não conhecia/

Sonia SantAnna disse...

Eu tenho o quatrocantos nos meu favoritos. Sempre que recebo esses emails com notícias alarmantes, avisos de vírus, cartas e discurosos que teriam sido escritos/pronunciados por alguém, denúncias, é lá que eu confiro a veracidade. Já cheguei à conclusão de que no mínimo 99% do que recebemos pela Internet é mentira. Assim como textos de autores famosos são quase sempre apócrifos.

Adriana Vianna disse...

Você está expert!
99% é demais, hein?!