O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça "na caderneta" aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.
Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).
O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo a pindura dos pinguços como garantia.
Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.
Esses adicionais instrumentos financeiros alavancam o mercado de capítais e conduzem a que se façam operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece ( as tais cadernetas do seu Biu ).
Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifu.
4 comentários:
Meu pai, que era professor da Faculdade de Economia, dizia que um dia, quando as pessoas descobrissem que tudo isso era só papel, sem dinheiro pra comprar arroz e feijão, iam colocar as CDBs no prato e comer.
huahuahuahuahua
Bem assim.
:)
Explicação claríssima, vou passar pro Paulinho, o futuro economista da família...
E tome artigos inovadores de economia, com o pessoal ganhando Nobéis de economia por ter descoberto o moto perpétuo da economia sempre em ascensão...
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