Randall
Tobias é a cara do governo Bush, seu discurso afinado que só. Durante
muito tempo, foi quem tocava as políticas para Aids; depois, assumiu a
responsabilidade, no Departamento de Estado, de distribuir o dinheiro
de ajuda humanitária para países estrangeiros. Em ambos os cargos,
Tobias dizia que preservativos eram inúteis para conter a disseminação
de Aids, que a melhor solução era a abstinência sexual, que
prostituição deveria ser ilegal por imoral.
Se demitiu no início da semana.
Ele
é a primeira vítima da madame Deborah Jeane Palfrey, uma senhora de 50
anos que, morando na Califórnia, coordenava uma lista de 130 moças que
prestavam serviços de acompanhamento e massagens e ela jura que nada mais para gentis homens em posições delicadas em Washington, a capital.
Palfrey
está sendo processada pelo Estado por cafetinagem. Diz que suas
sub-contratadas faziam tudo, menos sexo. Atendiam à demanda de
fantasias eróticas, despiam-se até mas, as palavras são dela, se o
sujeito está de bruços, nada ilegal foi cometido.
Sua lista de
clientes, forneceu-a para a ABC, canal de tevê que deve levar uma
reportagem ao ar na sexta-feira. Ainda não se sabe quantos nomes serão
divulgados. O próprio nome de Tobias não era conhecido até que, ao ser
contatado pelos repórteres da emissora, deu a entrevista, encerrou-a,
percebeu que a hipocrisia não cairia bem, pediu o chapéu.
É o
problema eterno de governos que fazem o discurso acirradamente
moralista. É impossível sustentar um programa de abstinência sexual,
por exemplo, porque é certo que humanos serão humanos e alguém vai
fraquejar. Hipocrisia jamais se sustenta.
A senhora Palfrey
tampouco será a última cafetina a ter uma longa lista de políticos
entre seus clientes. Não é que políticos sejam mais propensos a usar os
serviços de prostitutas. É que, em todas as carreiras, há uma razoável
lista de freqüentadores do sexo pago.
Não é profissão que vai
acabar, evidentemente. Como provavelmente jamais acabará o número de
políticos dispostos ao discurso hipócrita a respeito das moças da dura
vida fácil.
(É, assim, uma relação parecida com a da Igreja Católica e o homossexualismo.)
(fonte NoMínimo, coluna Weblog de Pedro Doria)
Um comentário:
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Esse é o detalhe mais engraçado!
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